domingo, 22 de junho de 2014

FAST FOOD OU ALIMENTAÇÃO CONSISTENTE?

Atualmente, encontramos vários nutricionistas falando sobre os perigos que rondam aqueles que preferem o fast food a uma alimentação mais consistente, seja por falta de tempo para se dedicar à alimentação, seja por causa dos altos preços praticados pelos restaurantes tradicionais e pelos que oferecem serviços “a quilo”. Os riscos passam pela saúde e atingem, por consequência, o bolso: hipertensão, acúmulo de gordura, diabetes, infartos, acidentes vasculares e tantas outras coisas que atingem o órgão mais sensível do ser humano: seu bolso.

Infelizmente, a alimentação saudável também atinge o órgão mais sensível do ser humano, pois os alimentos mais saudáveis são mais caros que aqueles considerados mais perigosos. Os alimentos orgânicos e menos gordurosos são tão caros, que os tornam proibitivos para a grande maioria da população, sempre com a desculpa esfarrapada dos custos da produção, do transporte e do lucro. Em minha opinião, não tem sentido, pois a produção de um alimento de qualidade inferior deveria ser mais cara, por causa da inclusão de conservantes e ingredientes, o que não ocorre nos alimentos “naturebas”.

Quando vejo essa questão em relação ao Cristianismo atual, fico perplexo e preocupado, pois também temos dado mais valor ao fast food, em detrimento a uma alimentação espiritual saudável e consistente, e pelas mesmas desculpas dadas em relação à alimentação física: falta de tempo para dedicar-se à oração e à meditação da Palavra; dificuldade em entender o que está escrito na Bíblia; a cultura do “imediatismo” invadindo as cercanias da Igreja, entre outras.

No entanto, assim como acontece na alimentação física, a falta de uma alimentação espiritual consistente também traz riscos enormes à saúde espiritual, gerando, entre outros males: hipocrisia, fanatismo, imprudência, falta de temor, julgamentos precipitados, falta de amor ao próximo, histeria, crença em heresias, apostasia.

Exagerei? Não mesmo! Quando vamos à Palavra de Deus, encontramos diversas orientações do Senhor a Seus servos em observar cuidadosamente ao que está prescrito em Suas ordenanças, para que não caiam na asneira de fazer aquilo que Lhe desagrada. E isso se refere a nós, cristãos, também. Vejamos algumas passagens:

Deuteronômio 4.1-2: “Agora, pois, ó Israel, ouve os estatutos e os preceitos que eu vos ensino, para os observardes, a fim de que vivais, e entreis e possuais a terra que o Senhor Deus de vossos pais vos dá. Não acrescentareis à palavra que vos mando, nem diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos mando”¹;

Deuteronômio 4.5-8: “Eis que vos ensinei estatutos e preceitos, como o Senhor meu Deus me ordenou, para que os observeis no meio da terra na qual estais entrando para a possuirdes. Guardai-os e observai-os, porque isso é a vossa sabedoria e o vosso entendimento à vista dos povos, que ouvirão todos estes estatutos, e dirão: ‘Esta grande nação é deveras povo sábio e entendido’. Pois que grande nação há que tenha deuses tão chegados a si como o é a nós o Senhor, nosso Deus, todas as vezes que O invocamos? E que grande nação há que tenha estatutos e preceitos tão justos como toda esta lei que hoje ponho perante vós?”;

Deuteronômio 6.4-9: “Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te. Também as atarás por sinal na tua mão e te serão por frontais entre os teus olhos; e as escreverás nos umbrais da tua casa, nas tuas portas”;

Deuteronômio 8.1-3: “Todos os mandamentos que hoje eu vos ordeno cuidareis de observar, para que vivais, e vos multipliqueis, e entreis, e possuais a terra que o Senhor, com juramento, prometeu a vossos pais. E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o Senhor teu Deus tem te conduzido durante estes quarenta anos do deserto, a fim de te humilhar e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os Seus mandamentos. Sim, Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que nem tu nem teus pais conhecíeis; para te dar a entender que o homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor, disso vive o homem”;

Josué 1.7-8: “Tão somente esforça-te e tem muito bom ânimo, cuidando de fazer conforme toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; não desvies dela nem para a direita nem para a esquerda, a fim de que sejas bem sucedido por onde quer que andares. Não se aparte da tua boca o livro desta lei, antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo quanto nele está escrito; porque então farás prosperar o teu caminho, e serás bem sucedido”;

Salmos 119.9: “Como purificará o jovem o seu caminho? Observando-o de acordo com a Tua palavra”;

Salmos 119.11: “Escondi a Tua palavra no meu coração, para não pecar contra Ti”;

Salmos 119.13: “Com meus lábios declaro todas as ordenanças da Tua boca”;

Salmos 119.18: “Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da Tua lei”;

Salmos 119.33: “Ensina-me, ó Senhor, o caminho dos Teus estatutos, e eu o guardarei até o fim”;

Jeremias 31.31-34: “‘Eis que os dias vêm’, diz o Senhor, ‘em que farei um pacto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá, não conforme o pacto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, esse meu pacto que eles invalidaram, apesar de eu os haver desposado’, diz o Senhor. ‘Mas este é o pacto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias’, diz o Senhor: ‘Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. E não ensinarão mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: “Conhecei ao Senhor”; porque todos me conhecerão, desde o menor até o maior’, diz o Senhor; ‘pois lhes perdoarei a sua iniquidade, e não me lembrarei mais dos seus pecados’”;

Oseias 4.6: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”.
      
Como vemos nas passagens destacadas, não podemos tratar a Palavra do Senhor como meros instrumentos de sortilégio, como se fossem “poções mágicas” ou “amuletos”. De nada adianta, por exemplo, manter uma Bíblia aberta no Salmo 91 na estante de casa, enchendo de poeira e ácaros, se não há uma comunhão plena e compromisso sério com o Senhor, como também não adianta nada repetir trechos e versos da Palavra, como se fossem “jargões”, se eles não expressam a verdade na vida de quem os proferem. Muito mais do que repetir, como se fossem “papagaios de pirata” (falam sem saber do que estão falando), devemos ter a Palavra agindo viva e eficazmente em nossas vidas, como nos ensina a passagem a seguir:

Hebreus 4.12: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão de alma e espírito, e de juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”.

Essa passagem é bem oportuna, pois ela nos traz uma verdade bastante incômoda: a Palavra é capaz de trazer o discernimento sobre o que é espiritual e o que é meramente emocional. Há choro de arrependimento, que traz mudanças reais e eficazes, há choro de remorso, que leva a pessoa ao desespero e há choro de “lágrimas de crocodilo”, em que há mais alívio da alma do que verdadeiro constrangimento. Assim também há um mover do Espírito que traz conserto e arrependimento, há uma adoração em línguas, que as palavras normais não expressam de forma eficaz e há também uma verdadeira “babel” e emocionalismo no meio do povo. Mas isso só é discernido pelo Espírito e pelo conhecimento do conteúdo da Palavra.

Por fim, e tomando o gancho do último parágrafo, devemos buscar o conhecimento da Palavra, sob pena de sermos considerados “preguiçosos”, por não nos aplicarmos na busca por esse conhecimento, como nos ensina o escritor da Carta aos Hebreus na passagem a seguir:

Hebreus 5.11-14: “Sobre isso temos muito que dizer, mas de difícil interpretação, porquanto vos tornastes tardios em ouvir. Porque, devendo já ser mestres em razão do tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar os princípios elementares dos oráculos de Deus, e vos haveis feito tais que precisais de leite, e não de alimento sólido. Ora, qualquer que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, pois é criança; mas o alimento sólido é para os adultos, os quais têm, pela prática, as faculdades exercitadas para discernir tanto o bem como o mal”.

Portanto, amados irmãos, não fiquemos presos somente ao fast food, aos resultados imediatos, mas busquemos constantemente a doce presença do Senhor, Sua vontade, que é boa perfeita e agradável, e cultivemos uma plena comunhão com Ele, nos aplicando na leitura da Palavra e na oração, para que tenhamos uma vida espiritual saudável!

Que o Senhor lhes abençoe ricamente!

Rio de Janeiro, 22 de junho de 2014.