sexta-feira, 22 de março de 2013

LEVANTA E ANDA!


Uma das passagens mais emblemáticas da Bíblia encontra-se em João 5, que narra a cura de um paralítico no Tanque de Betesda. O relato começa com a narrativa de um evento milagroso, quando um anjo vem ao Tanque e move suas águas. Quem entrasse primeiro nessas águas era curado. Por conta desse sinal, havia um grande número de enfermos naquele lugar: cegos, coxos, paralíticos, dentre os quais um, que chamou a atenção de Jesus, que o texto informa no v. 5 que ele estava ali há trinta e oito anos (o tempo de vida de muitos de nós…). O Senhor se aproximou dele e lhe fez uma pergunta que parece ser óbvia ao mais desatento: “Queres ser curado?” Alguém, equivocadamente, poderia pensar numa resposta do tipo: “Imagina, só venho aqui por causa da beleza do mover das águas. Já me conformei com a minha situação”. A resposta do homem nos leva a entender dessa forma: “Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois, enquanto eu vou, desce outro antes de mim” (v. 7).

Não é esta a situação de muitos membros de Igreja hoje? Há anos que estão numa situação de paralisia espiritual, sem qualquer progresso na sua fé, vivendo de experiências que aconteceram há dez, vinte, trinta anos, ou pior, de experiências vividas por seus pais, tios, avós… E os motivos dessa paralisia são inúmeros: desesperança, incredulidade, falta de iniciativa, conformismo e tantos outros, que não daria para descrever e não é este o propósito deste texto. São pessoas que vivem de Campanha em Campanha, ministrações em ministrações, muitas vezes indo de um lado para o outro, atrás de “moveres de águas”, para que suas vidas sejam, enfim, transformadas, mas nada, absolutamente NADA acontece. Então, acumula dentro de si ainda mais frustração, ainda mais dúvidas, ainda mais incredulidade.

Me parece que o Senhor não dá muita atenção à resposta daquele e homem, e lhe ordena: “Levanta-te, toma o teu leito e anda” (v.8). A palavra ordenada por Ele fez com que aquele homem se levantasse e obedecesse à ordem dada pelo Senhor, tomou seu leito (uma esteira onde estava deitado) e saiu andando (v. 9). Um detalhe nos chama a atenção nessa narrativa: o final do v. 9 nos informa que isso aconteceu num sábado, e isso tem várias implicações.

Antes de falarmos no sábado, vamos observar alguns detalhes nessa narrativa: em primeiro lugar, o homem saiu andando depois de trinta e oito anos paralisado, e nem agradeceu! Mas esse não é o primeiro evento de cura que o abençoado não voltou para agradecer. Lembram-se dos dez leprosos, que somente um (um samaritano…) voltou para agradecer? Pois é, não é? Sempre esses “samaritanos” aparecem para nos dar uma lição… Então, este homem também não agradeceu. Simplesmente saiu andando com sua esteira debaixo do braço, e isso em um sábado.

De repente, ele dá de cara com os fariseus, que o vêem com a esteira, e lhe repreendem: “Hoje é sábado, e não te é lícito carregar o leito” (v.11). Ele respondeu: “O mesmo que me curou me disse: ‘Toma o teu leito e anda’”. Eles lhe perguntaram: “Quem é o homem que te disse: ‘Toma o teu leito e anda’”? O homem que fora curado não sabia dizer quem era Jesus, pois Ele já havia saído do Tanque. Muitas vezes, somos questionados sobre as circunstâncias da nossa cura ou das bênçãos que recebemos do Senhor, seja pelos incrédulos que povoam nossas Igrejas, seja pelos ímpios, que não querem ver a prosperidade dos santos do Senhor. Nem toda a explicação ou lógica que possa ser apresentada lhes satisfará, pois eles não sabem de outra coisa, senão a de criticar quem faz a Obra do Senhor e de impedir que ela prospere. O problema é que esses questionamentos também podem minar a nossa fé e passamos a olhar com desconfiança para o Senhor e também para a pessoa que foi usada por Ele para nos alcançar. Essa desconfiança pode ser muito perigosa.

Quando Jesus o encontra novamente, agora no Templo de Jerusalém, falou novamente com aquele homem, dessa vez de forma mais gravosa: “Olha que já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior” (v.14).

Esse aviso do Senhor me faz lembrar outra passagem em que o Senhor Jesus trata dos perigos de vivermos uma vida desregrada:
Mateus 12.43-45: “Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. Por isso diz: ‘Voltarei para minha casa donde saí’. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali, e o último estado daquele homem torna-se pior do o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa”.

Se não cuidarmos bem da nossa vida espiritual, tendemos a cair no pecado e passamos a agir de forma displicente e podemos ser surpreendidos por situações ainda piores que aquelas que experimentamos antes. Ambos os avisos da parte do Senhor são muito sérias e devem ser levadas em conta em nossos dias, principalmente pela escalada da apostasia que o mundo experimenta atualmente.

Qual é a lição, melhor, que lições tiramos desse texto? Resumidamente, são as seguintes:
  • O cristão não deve ficar restrito às experiências passadas e nunca viver das experiências dos outros, por mais importantes ou maravilhosas que tenham sido;
  • Não devemos nos conformar com a situação que estamos experimentando, no sentido de ficarmos prostrados, choramingando, reclamando. Se ela for permitida pelo Senhor, devemos nos alegrar nEle e aproveitarmos esse momento para absorvermos tudo o que tem de ser aprendido com ela;
  • Não devemos nos sentir intimidados pelas pessoas que vêm questionar a nossa fé no Senhor, seja de dentro da Igreja, seja de fora, pois a nossa intimidade com o Senhor só interessa a nós mesmos e a Ele;
  • Devemos cuidar bem de tudo o que o Senhor nos tem dado, principalmente a nossa comunhão com Ele, para que nossa situação não fique ainda pior do que a anteriormente experimentada.

Que o Senhor lhes abençoe ricamente!

Rio de Janeiro, 22 de março de 2013.

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