sexta-feira, 22 de março de 2013

LEVANTA E ANDA!


Uma das passagens mais emblemáticas da Bíblia encontra-se em João 5, que narra a cura de um paralítico no Tanque de Betesda. O relato começa com a narrativa de um evento milagroso, quando um anjo vem ao Tanque e move suas águas. Quem entrasse primeiro nessas águas era curado. Por conta desse sinal, havia um grande número de enfermos naquele lugar: cegos, coxos, paralíticos, dentre os quais um, que chamou a atenção de Jesus, que o texto informa no v. 5 que ele estava ali há trinta e oito anos (o tempo de vida de muitos de nós…). O Senhor se aproximou dele e lhe fez uma pergunta que parece ser óbvia ao mais desatento: “Queres ser curado?” Alguém, equivocadamente, poderia pensar numa resposta do tipo: “Imagina, só venho aqui por causa da beleza do mover das águas. Já me conformei com a minha situação”. A resposta do homem nos leva a entender dessa forma: “Senhor, não tenho ninguém que me ponha no tanque, quando a água é agitada; pois, enquanto eu vou, desce outro antes de mim” (v. 7).

Não é esta a situação de muitos membros de Igreja hoje? Há anos que estão numa situação de paralisia espiritual, sem qualquer progresso na sua fé, vivendo de experiências que aconteceram há dez, vinte, trinta anos, ou pior, de experiências vividas por seus pais, tios, avós… E os motivos dessa paralisia são inúmeros: desesperança, incredulidade, falta de iniciativa, conformismo e tantos outros, que não daria para descrever e não é este o propósito deste texto. São pessoas que vivem de Campanha em Campanha, ministrações em ministrações, muitas vezes indo de um lado para o outro, atrás de “moveres de águas”, para que suas vidas sejam, enfim, transformadas, mas nada, absolutamente NADA acontece. Então, acumula dentro de si ainda mais frustração, ainda mais dúvidas, ainda mais incredulidade.

Me parece que o Senhor não dá muita atenção à resposta daquele e homem, e lhe ordena: “Levanta-te, toma o teu leito e anda” (v.8). A palavra ordenada por Ele fez com que aquele homem se levantasse e obedecesse à ordem dada pelo Senhor, tomou seu leito (uma esteira onde estava deitado) e saiu andando (v. 9). Um detalhe nos chama a atenção nessa narrativa: o final do v. 9 nos informa que isso aconteceu num sábado, e isso tem várias implicações.

Antes de falarmos no sábado, vamos observar alguns detalhes nessa narrativa: em primeiro lugar, o homem saiu andando depois de trinta e oito anos paralisado, e nem agradeceu! Mas esse não é o primeiro evento de cura que o abençoado não voltou para agradecer. Lembram-se dos dez leprosos, que somente um (um samaritano…) voltou para agradecer? Pois é, não é? Sempre esses “samaritanos” aparecem para nos dar uma lição… Então, este homem também não agradeceu. Simplesmente saiu andando com sua esteira debaixo do braço, e isso em um sábado.

De repente, ele dá de cara com os fariseus, que o vêem com a esteira, e lhe repreendem: “Hoje é sábado, e não te é lícito carregar o leito” (v.11). Ele respondeu: “O mesmo que me curou me disse: ‘Toma o teu leito e anda’”. Eles lhe perguntaram: “Quem é o homem que te disse: ‘Toma o teu leito e anda’”? O homem que fora curado não sabia dizer quem era Jesus, pois Ele já havia saído do Tanque. Muitas vezes, somos questionados sobre as circunstâncias da nossa cura ou das bênçãos que recebemos do Senhor, seja pelos incrédulos que povoam nossas Igrejas, seja pelos ímpios, que não querem ver a prosperidade dos santos do Senhor. Nem toda a explicação ou lógica que possa ser apresentada lhes satisfará, pois eles não sabem de outra coisa, senão a de criticar quem faz a Obra do Senhor e de impedir que ela prospere. O problema é que esses questionamentos também podem minar a nossa fé e passamos a olhar com desconfiança para o Senhor e também para a pessoa que foi usada por Ele para nos alcançar. Essa desconfiança pode ser muito perigosa.

Quando Jesus o encontra novamente, agora no Templo de Jerusalém, falou novamente com aquele homem, dessa vez de forma mais gravosa: “Olha que já estás curado; não peques mais, para que não te suceda coisa pior” (v.14).

Esse aviso do Senhor me faz lembrar outra passagem em que o Senhor Jesus trata dos perigos de vivermos uma vida desregrada:
Mateus 12.43-45: “Quando o espírito imundo sai do homem, anda por lugares áridos procurando repouso, porém não encontra. Por isso diz: ‘Voltarei para minha casa donde saí’. E, tendo voltado, a encontra vazia, varrida e ornamentada. Então, vai e leva consigo outros sete espíritos, piores do que ele, e, entrando, habitam ali, e o último estado daquele homem torna-se pior do o primeiro. Assim também acontecerá a esta geração perversa”.

Se não cuidarmos bem da nossa vida espiritual, tendemos a cair no pecado e passamos a agir de forma displicente e podemos ser surpreendidos por situações ainda piores que aquelas que experimentamos antes. Ambos os avisos da parte do Senhor são muito sérias e devem ser levadas em conta em nossos dias, principalmente pela escalada da apostasia que o mundo experimenta atualmente.

Qual é a lição, melhor, que lições tiramos desse texto? Resumidamente, são as seguintes:
  • O cristão não deve ficar restrito às experiências passadas e nunca viver das experiências dos outros, por mais importantes ou maravilhosas que tenham sido;
  • Não devemos nos conformar com a situação que estamos experimentando, no sentido de ficarmos prostrados, choramingando, reclamando. Se ela for permitida pelo Senhor, devemos nos alegrar nEle e aproveitarmos esse momento para absorvermos tudo o que tem de ser aprendido com ela;
  • Não devemos nos sentir intimidados pelas pessoas que vêm questionar a nossa fé no Senhor, seja de dentro da Igreja, seja de fora, pois a nossa intimidade com o Senhor só interessa a nós mesmos e a Ele;
  • Devemos cuidar bem de tudo o que o Senhor nos tem dado, principalmente a nossa comunhão com Ele, para que nossa situação não fique ainda pior do que a anteriormente experimentada.

Que o Senhor lhes abençoe ricamente!

Rio de Janeiro, 22 de março de 2013.

quinta-feira, 21 de março de 2013

NEO-NAZISMO: O FRUTO DO CANIBALISMO SOCIAL


I. COMO SURGIU O NAZISMO?
ALEMANHA, 1920: A destruição do País na 1ª Guerra Mundial (1914-18), as restrições oriundas dos pactos do pós-guerra, a crise econômica global que levou à quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque e à mega inflação que estava arruinando a economia (com cerca de 32 milhões de desempregados em 1932) e a auto-estima da classe média alemã fizeram com que nascesse o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei), fundado em 1º de Abril de 1920, do qual resultou na ascensão ao poder, em 1933, de Adolph Hitler, cujo governo e ideais resultaram na 2ª Guerra Mundial. Era um sistema político ultra-nacionalista e que condenava abertamente a democracia liberal, fazendo do anticomunismo a sua principal bandeira e dos discursos demagogos e palavras de ordem violentas suas principais características.
O nazismo tem sua origem no militarismo prussiano, cujas características eram a ambição expansionista e rígidos padrões de disciplina e hierarquia social. Sua ideologia era extremamente confusa e teve como fontes o pensamento alemão, como:
  • Hegel - A TEORIA DO ESTADO TOTALITÁRIO;
  • Fichte e sua PREGAÇÃO NACIONALISTA;
  • Ernst Moritz Arndt e Friedrich Ludwig Jahn - PREGADORES DA XENOFOBIA, CONHECIDOS COMO “PATRIOTAS DE 1813ʺ;
  • Houston Stewart Chamberlain - APOLOGIA DO HOMEM NÓRDICO, O “ARIANO PURO”;
  • Friedrich Nietzsche - O SUPERHOMEM, “ALÉM DO BEM E DO MAL”;
  • Friedrich Ratzel e Karl Haushofer - GEOPOLÍTICA;
  • Richard Wagner - A MÍSTICA DO HERÓI GERMÂNICO, ELEVADA EM SUAS MÚSICAS;
  • Werner Sombart e Oswald Spengler - “SOCIALISMO ALEMÃO”.

O rompimento com a LIGA DAS NAÇÕES em Outubro de 1933 e o repúdio ao TRATADO DE LOCARNO em 1936 resultaram em um mal estar irreversível entre a Alemanha e a França, devido à invasão da Renânia, região pertencente à França. Suas atrocidades são plenamente conhecidas, com o holocausto de milhares de judeus e de não simpatizantes do regime do III REICH, que teve fim com a morte do FÜHRER, com a derrota da Alemanha na 2ª Guerra Mundial.

II. O NAZISMO HOJE:
ALEMANHA, 1988: Com o fim do regime comunista do Leste Europeu, as Alemanhas Ocidental (capitalista) e Oriental (comunista) voltam a se reunir em um só País, pois o Muro de Berlim veio abaixo, dando fim a anos de fugas mirabolantes e massacres em massa dos que eram recapturados. Mas a festa da Reunificação Alemã durou pouco, pois grupos neo-nazistas estavam lutando contra os estrangeiros que viviam nas periferias, principalmente judeus, latinos, turcos, negros e outras minorias étnicas. É o renascimento do III REICH, em pleno século XXI, em meio à caça dos criminosos nazistas da 2ª Guerra Mundial.

BRASIL, DÉCADAS DE 1980/1990: Em São Paulo, surgem grupos neo-nazistas, conhecidos como SKIN-HEADS ou “cabeças carecas”, extremamente violentos, que pregam a expulsão dos judeus, palestinos, negros e nordestinos para suas respectivas terras natais. Surge também o Partido Nacional-Socialista (1988) que, apesar de não participar ativamente do cenário político nacional, está ganhando força.
O que surpreende no neo-nazismo brasileiro é que não temos uma “RAÇA PURA”, tendo em vista que somos frutos de uma “miscelânea” de raças que, por sua vez, também são uma “miscelânea” de raças. Um exemplo disso são os nossos colonizadores: tanto portugueses quanto espanhóis não são 100% “puramente”
europeus, tendo sua ascendência vinda principalmente dos mouros, vindos do Oriente Médio, pela expansão do Islamismo.
Os negros, por sua vez, vieram de inúmeras tribos centro e sul africanas, trazidos como escravos, conquistados como despojos de guerra, quando vencidos pelos colonizadores europeus, ou vendidos por outras tribos como objetos de troca, fosse por comida, por bebidas alcoólicas ou por pedras preciosas.
Ao chegarem aqui, na condição de escravos, eram explorados ao máximo e suas mulheres, além do trabalho na cozinha da casa grande, eram também exploradas sexualmente pelos senhores e pelos capatazes, nascendo assim os primeiros mulatos, frutos da “UNIÃO” dos negros e dos brancos.
Mas não foram só as mulheres negras que sofreram com a exploração sexual dos “colonizadores”: as índias também sofreram tal agressão, nascendo outra ETNIA típica do Brasil, conhecidos como mamelucos ou caboclos. Da união dos índios e dos negros, ambos explorados pelos portugueses e refugiados nos primeiros QUILOMBOS, nasceram os cafuzos.
Quanto aos nordestinos, então, a proximidade é ainda maior, tendo em vista que foram eles que construíram os Estados mais ricos do País, como SP e RJ e, querendo ou não, todos nós temos vínculo com os nordestinos, nem que seja “POR DEBAIXO DOS PANOS”. Por isso, não há como ter RAÇA PURA em nosso País, pois somos fruto de uma enorme mistura étnica, sem contar que podemos ter chances enormes de sermos descendentes diretos de qualquer uma dessas etnias perseguidas.
De acordo com a matéria “FILHOS DO ÓDIO”, publicada no Jornal O DIA, em 01 de Abril de 2001, ANIVERSÁRIO de fundação do Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães, os neo-nazistas brasileiros são divididos em três grupos: os NACIONAIS SOCIALISTAS, os SKIN-HEADS ou “cabeças carecas” e os WHITE POWERS ou força branca. Os primeiros fundaram um partido político no RJ e em Niterói, em 1988, comandado por Armando Zanine Júnior; os segundos são os mais temidos, devido à sua violência e às práticas racistas.
Sua DOUTRINA SEPARATISTA inclui a separação dos Estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul do resto do País, a fim de criar uma Nação branca SUPERIOR.
Em relação ao Rio de Janeiro, eles defendem uma LIMPEZA ÉTNICA, com a intenção de expulsar do Estado todos os negros, judeus e nordestinos. Já os WP pregam uma LIMPEZA ÉTNICA mais violenta, que inclui a deportação dos judeus, turcos, sírios e libaneses para seus Países de origem. Aqueles que tiverem estabelecimentos comerciais, os mesmos deverão ser incendiados, como forma de rompimento de vínculo com o Brasil.
Em relação aos negros, é defendida a volta da escravidão. Somente serão livres aqueles que puderem pagar por ela. Pregam também a pena de morte do criminoso e de seus familiares. Em relação aos nordestinos, a crueldade é ainda maior, pois aqueles que se recusarem a voltar para sua terra, serão decapitados.
Outro ideal difundido pelos neo-nazistas brasileiros é a estatização da economia, com a encampação das multinacionais; trabalhos forçados em presídios, transformando os presos em mão de obra “BARATA” e “PRODUTIVA”; e a socialização da Educação e da rede pública de Saúde.
Ainda de acordo com a reportagem acima, há diferenças entre os SKINHEADS de SP e do RJ. Os PAULISTAS, em sua maioria, têm curso superior, enquanto os CARIOCAS, não. Outra diferença é a de que os primeiros defendem o INTEGRALISMO, ou seja, a IMPLANTAÇÃO COORDENADA de suas idéias; já os segundos, defendem a violência gratuita, pregada pelos WP. Quanto à reunião dos grupos, no RJ, se concentram os NACIONAIS-SOCIALISTAS e os SKIN-HEADS, e em SP e no Sul, concentram-se os WP. De acordo com a pesquisadora Diane Kuperman, eles representam 0,004% da população brasileira - 6.600 pessoas.
A princípio, parece ser um número inexpressivo, mas não é, tendo em vista que não pára de crescer o número de adeptos ao movimento e, em vinte anos, poderá ser uma grande ameaça à nossa Democracia. Seus métodos de divulgação também evoluíram desde a implantação do III REICH, pois, enquanto este usava o rádio como meio de propagar suas mensagens ANTI-SEMITAS, os de hoje usam a Internet, tendo em vista que não há nenhuma lei de censura ou órgão moderador que limite a divulgação de mensagens racistas na Rede.
Há também filmes que mostram o modo violento de agir dos neonazistas. O principal deles é “A OUTRA HISTÓRIA AMERICANA” (“THE AMERICAN HISTORY X”), dirigido por Tony Kaye, que mostra como nasce a cultura do racismo em uma pessoa: dentro de casa. Mostra que a violência, querendo ou não, gera ainda mais violência e que, quanto mais jovem, mais fácil de ser engodado pela ambição da RAÇA PURA.

III. CONCLUSÃO:
Vivemos um período de extrema instabilidade sócio-político-econômico em nosso País e, assim como a água parada está para o AEDES AEGIPTY (mosquito transmissor do Dengue), o momento é bastante propício para o crescimento e disseminação da cultura neo-nazista, pois, assim como os alemães dos anos 1930-40, os brasileiros do século XXI estão em busca de algo ou alguém que melhore o seu ego, nem que seja através de medidas extremamente violentas contra aqueles que, de alguma forma, são descendentes daqueles que construíram este País, nem que tenha sido como ajudante de pedreiro, mas que cada gota de suor deles está misturada com a argamassa que juntou cada tijolo, isso está. Que cada sonho de retornar para sua terra com melhores condições de vida está em cada parede pintada nestas Cidades, também. Que cada desilusão está nas pegadas deixadas nas Rodoviárias, Portos e Aeroportos do Brasil, não resta a menor dúvida.
Por isso, absurdos totalitários e fundamentalistas como o Nazismo não deveriam ter espaço em nosso País, pois nele temos as digitais de uma infinidade de povos em cada centímetro quadrado construído, seja nos grandes Centros urbanos, seja em cada Vilarejo do interior, ou em Jazidas nas Matas do Norte e Centro Oeste deste País. Quanto aos problemas existentes, não há como negar que eles existem e que a solução deve ser conseguida com urgência. Mas sem tolerância e cooperação mútua, não chegaremos a lugar nenhum. E o CANIBALISMO SOCIAL crescerá cada vez mais.

IV. BIBLIOGRAFIA:
  • Jornal O DIA, 01 de Abril de 2001, páginas 22 e 23;
  • Enciclopédia Mirador, vol. 15, Encyclopaedia Britannica do Brasil, 1987;
  • História da Civilização, vol. IV;
  • Site zazcinema: http://www.zaz.com.br.

MARTINS PESSÔA REGIS JÚNIOR. MATRÍCULA: 19951.5538-0.
DIREITO - 10º PERÍODO - NOITE.
ÉTICA PROFISSIONAL E JURÍDICA. PROFª FLÁVIA KOGAN.

domingo, 17 de março de 2013

OS JARDINS DE DEUS


Quando pensamos nos “jardins de Deus”, logo pensamos que houve somente um, o Éden. Mas, de acordo com as Sagradas Escrituras, há outros lugares especiais que o Senhor escolheu para servir como representação da Sua Santa presença na Terra. Esses “Edens” são representados na Bíblia da seguinte forma:
·         O próprio Jardim do Éden, descrito em Gênesis 2 e 3;
·         Canaã, chamada de “Terra Prometida” e de “Terra que mana leite e mel” no Êxodo, e “Terra Santa” atualmente;
·         Pasmem, o próprio ser humano, descrito pelo apóstolo Paulo como “Santuário do Espírito Santo” em dois trechos de sua primeira carta à Igreja em Corinto.

Quando enxergamos dessa forma, veremos que todo o misticismo que gira em torno desse assunto cai por terra, assim como todos os “achismos”, pois não se trata apenas de um lugar de beleza exuberante ou intangível pela nossa imaginação, nem mesmo da tola tentativa de imaginarmos uma sociedade humana superior à que temos hoje. Vai muito além disso: é termos acesso irrestrito ao Criador de todas as coisas, é poder aprender tudo direto da Fonte de toda a sabedoria, é poder vivenciar o natural e o sobrenatural num mesmo plano, sem qualquer barreira ou restrição.
Mas vemos que, desde o início, a humanidade parece não estar satisfeita com a proposta de comunhão feita pelo Senhor. No Éden, Adão e Eva deram mais atenção a um “conhecimento ilimitado”, abrindo mão da comunhão com a Fonte do verdadeiro conhecimento. Israel abriu mão da comunhão com o Senhor dos Exércitos para andar de acordo com os povos a seu redor que, aliás, deveriam ter sido expulsos de Canaã por ele, purificando, assim, a terra para torná-la santa para o Senhor (Juízes 2). O resultado das duas rebeliões (Adão e Israel) foi o banimento: Adão e Eva foram banidos do Éden (Gênesis 3), Judá (Reino do Sul) foi exilado na Babilônia(II Reis 24.1-25.30) e Israel (Reino do Norte) perdeu sua identidade nacional, tornando-se o povo misto conhecido como samaritanos (II Reis 17.6-41).
E quanto a nós, que vivemos na Dispensação da Graça? Bom, a situação não é menos gravosa que aquela encontrada no Antigo Testamento. O Senhor Jesus nos dá uma interpretação da Lei de Moisés bem mais restritiva que aquela dada pelos fariseus, além das demais passagens que usamos como exemplos a seguir:
·         Mateus 5.20: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder em muito a dos escribas e fariseus, jamais entrareis no reino dos céus” – isso significa que não basta termos um conhecimento intelectual da Palavra de Deus ou sem a aplicação do amor, pois assim nunca alcançaremos o Reino do Senhor;
·         Romanos 6.12-13 (NVI): “Portanto, não permitam que o pecado continue dominando os seus corpos mortais, fazendo com que vocês obedeçam aos seus desejos. Não ofereçam os membros dos seus corpos ao pecado, como instrumentos de injustiça; antes ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam-se a Deus como quem voltou da morte para a vida; e ofereçam os membros dos seus corpos a Ele, como instrumentos de justiça” – esta passagem deixa bem claro que não devemos tratar nossos corpos de qualquer maneira, submetendo-o novamente ao pecado, pois já fomos resgatados pelo Senhor e não vivemos mais como escravos do pecado, mas sim da Justiça dEle;
·         I Coríntios 3.9: “Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós” – nós somos habitáculos do Espírito Santo que, após a subida do Senhor aos céus, passou a morar conosco, como selo de garantia de que pertencemos ao Senhor, até que se consuma o nosso resgate, com a transformação dessa natureza corrupta que temos pela natureza eterna;
·         I Coríntios 3.16-17: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o santuário de Deus, que sois vós, é sagrado” – ao contrário do que muitos pensam, esta passagem refere-se, sim, ao nosso corpo. Não podemos maltratá-lo nem submetê-lo a situação que venha a destruí-lo, pois ele é habitação santa do Senhor;
·         I Coríntios 6.19-20: “Acaso, não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo,que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço. Agora, pois, glorificai a Deus no vosso corpo” – Esta passagem deixa ainda mais clara a nossa responsabilidade de cuidarmos bem de nós mesmos, agora não só referente aos cuidados com a nossa saúde física. A ênfase aqui é a de que devemos cuidar da nossa saúde espiritual;
·         Gálatas 2.19-20: “Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo; logo, não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a Si mesmo se entregou por mim” – Devemos ter consciência de que não vivemos mais no mesmo padrão de vida que tínhamos antes de receber a Cristo. Agora pertencemos a Ele, por isso devemos viver como Ele viveu;
·         Cantares 4.12 (NVI): “Você é um jardim fechado, minha irmã, minha noiva; você é uma nascente fechada, uma fonte selada” – Usei esta passagem de Cantares porque é um dos melhores exemplos do zelo de Deus para conosco, ao dizer – através dos lábios apaixonados de Salomão – que somos Seu “jardim fechado”, “nascente fechada”, “fonte selada”. Devido a esse zelo que posto a última passagem a seguir:
·         Tiago 4.5 (NVI): “Ou vocês acham que é sem razão que a Escritura diz que o Espírito que ele fez habitar em nós tem fortes ciúmes?”. Em diversas passagens do Antigo Testamento encontramos os ciúmes de Deus contra Israel e Judá, que O abandonaram e O trocaram por ídolos e práticas nojentas, principalmente Ezequiel 8.3 e 5, 16.38, Salmos 78.58, dentre outras.

Ou seja, nada mais tolo do que pensar que o Senhor não se lixa pelos nossos pecados! Sim, Ele se importa e Ele nos pune na medida dos erros que nós cometemos! Se você está sendo corrigido pelo Senhor, alegre-se, pois esta é a mais clara demonstração de que ELE TE AMA; no entanto, se você acha que pode “pintar e bordar”, porque Ele está pouco se lixando com os seus pecados e práticas ruins, pode começar a ficar preocupado, principalmente porque a Palavra de Deus diz categoricamente que:
Hebreus 12.4-8, 11-14: “Ora, na vossa luta contra o pecado, ainda não tendes resistido até ao sangue e estais esquecidos da exortação que, como a filhos, discorre convosco: ‘Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por Ele és reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe’. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos se têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos… Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça. Por isso, restabelecei as mãos descaídas e os joelhos trôpegos; e fazei caminhos retos para os pés, para que não se extravie o que é manco; antes, seja curado. Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”.

Concluindo, passemos a viver de modo digno diante do Senhor, honrando-O também com nosso corpo, pois isso é digno diante dEle e é a demonstração física de que pertencemos a Ele e que nascemos para a vida eterna, deixamos o pecado e vivemos agora para a Justiça.

Que o Senhor lhes abençoe ricamente!