domingo, 28 de novembro de 2010

MERCANTILISMO DA FÉ

Não há nada mais revoltante dentro das igrejas em nossos dias do que o mercantilismo da fé. Pessoas de índole ruim se infiltraram nas nossas igrejas, através de uma conversão que, aparentemente, foi verdadeira. Depois de algum tempo, começam a mostrar uma capacidade de convencimento dentro das igrejas a que se filiaram, conquistam os corações dos membros e, por que não dizer, até mesmo de seus líderes, que veem como certo consagrá-los ao Ministério Pastoral, pois enxergam neles uma “unção” que não encontravam em outras pessoas, mesmo com mais tempo de igreja.

Porém, depois de algum tempo, somos surpreendidos com algumas atitudes estranhas, seja provocando divisões, seja começando a ensinar doutrinas estranhas. Eles usam as mesmas táticas em ambos os casos: trazem mensagens truncadas, tiradas da própria Bíblia, usando textos fora de contexto para justificar suas ideias. Com o tempo, essas ideias vão se enraizando, crescendo, formando adeptos cada vez maiores. A princípio, essas ideias dão resultado, fazendo com que seus seguidores achem que estão realmente sendo abençoados por Deus e sendo convencidos que esses indivíduos são usados pelo Senhor e acabam por espalhar essas ideias, ganhando novos adeptos.

No entanto, conforme essas ideias começam a crescer, começam também a aparecer as “garras” desses indivíduos: a arrogância, a prepotência e a vaidade. Com o passar do tempo, consideram-se dotados de uma visão mais “apurada” que os outros, mais “abençoados” que os outros e que receberam uma “unção” mais “especial” que os demais. Depois, começam a acusar os outros de estarem “no caminho errado”, pois somente eles têm a “verdadeira e definitiva revelação vinda de Deus”. Mais tarde, começam a ridicularizar o que está escrito na Bíblia, dando “novas interpretações” e “relativizando” os ensinamentos eternos da Palavra de Deus, “adequando-as” aos seus próprios interesses. Começam a por em livros essas ideias, a fim de formarem doutrinas diferentes, achando-se os “novos apóstolos”, incumbidos de trazer “revelações” que Deus “esqueceu” de revelá-las quando a Bíblia foi escrita…

Entretanto, quando lemos a Palavra de Deus mais detalhadamente, vemos que essa prática não é nova; pelo contrário, vem de muito tempo atrás, desde os tempos dos profetas de Israel e Judá. Vejamos as passagens a seguir:
  • Isaías 56.9-12: “Vós, todos os animais do campo, todas as feras dos bosques, vinde comer. Os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; sonhadores preguiçosos, gostam de dormir. Tais cães são gulosos, nunca se fartam; são pastores que nada compreendem, e todos se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, todos sem exceção. ‘Vinde’, dizem eles, ‘trarei vinho, e nos encharcaremos de bebida forte; o dia de amanhã será como este e ainda maior e mais famoso” (ARA);
  • Jeremias 2.8: “Os sacerdotes não disseram: Onde está o SENHOR? E os que tratavam da lei não me conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizaram por Baal e andaram atrás de coisas de nenhum proveito” (ARA);
  •  Jeremias 23.1-2: “‘Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto’! diz o SENHOR. ‘Portanto’, assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, contra os pastores que apascentam o meu povo: ‘Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e delas não cuidastes; mas eu cuidarei em vos castigar a maldade das vossas ações, diz o SENHOR’” (ARA);
  • Jeremias 50.6: “O meu povo tem sido ovelhas perdidas; seus pastores as fizeram errar e as deixaram desviar para os montes; do monte passaram ao outeiro, esqueceram-se do seu redil” (ARA);
  • Ezequiel 34.1-6: “Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: ‘Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. Assim, se espalharam, por não haver pastor, e se tornaram pasto para todas as feras do campo. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque’” (ARA).
Como podemos ver, os profetas Isaías, Jeremias e Ezequiel deram dicas do comportamento desses maus pastores. Eles não têm cuidado pelas ovelhas do Senhor, cuidam dos seus próprios interesses e só buscam satisfazer suas ganâncias e vaidades. Além disso, como fala a última passagem (de Ezequiel), esses maus pastores usurpam o parco salário de seus seguidores (comem a gordura), se aproveitam da boa-fé alheia (vestem-se da lã que vem das ovelhas) e oprimem com doutrinas enganadoras (degolam a cevada). Ainda por cima, não cuidam de seus seguidores (não apascentam), não restauram os que estão caídos (as fracas e doentes), abandonam os que se desviaram (as desgarradas e as perdidas), porque trataram aquelas pessoas com ignorância e rigor excessivo. Ou seja, eles provocaram uma verdadeira debandada entre os filhos de Deus!


Infelizmente, mesmo com a revelação da Graça de Deus, essa situação não mudou. O apóstolo Paulo sofreu muito com a exploração vinda de diversos falsos apóstolos que, literalmente, minaram seu trabalho nas igrejas que ele estabeleceu na Ásia. Vejam o que ele fala sobre esses indivíduos:
  • II Coríntios 2.17: “Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus” (ARA);
  • II Coríntios 11.13: “Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo” (ARA);
  • II Coríntios 12.11-17: “Tenho-me tornado insensato; a isto me constrangestes. Eu devia ter sido louvado por vós; porquanto em nada fui inferior a esses tais apóstolos, ainda que nada sou. Pois as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos. Porque, em que tendes vós sido inferiores às demais igrejas, senão neste fato de não vos ter sido pesado? Perdoai-me esta injustiça. Eis que, pela terceira vez, estou pronto a ir ter convosco e não vos serei pesado; pois não vou atrás dos vossos bens, mas procuro a vós outros. Não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais, para os filhos. Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado? Pois seja assim, eu não vos fui pesado; porém, sendo astuto, vos prendi com dolo. Porventura, vos explorei por intermédio de algum daqueles que vos enviei?” (ARA);
  • II Timóteo 3.1-7: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade” (ARA).
Além do apóstolo Paulo, o apóstolo Pedro também falou sobre esses maus obreiros:
II Pedro 2.1-3: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” (ARA).

Como podemos ver, por mais que esses maus obreiros continuem a praticar suas atrocidades, eles não permanecerão impunes, principalmente porque eles interferem na continuidade da pregação da mensagem do Amor de Deus ao mundo, pois eles infamaram (fizeram perder a boa reputação; desonraram; desacreditaram por difamação) o Caminho da Verdade (como eram chamados os cristãos nos tempos da Igreja Primitiva). O próprio Senhor Jesus fala sobre eles assim:
F  Mateus 18.6-8: “Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo! Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno” (ARA);
F  Mateus 24.10-13, 23-26: “Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo… Então, se alguém vos disser: ‘Eis aqui o Cristo!’ Ou: ‘Ei-lo ali!’ Não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: ‘Eis que ele está no deserto!’, não saiais. Ou: ‘Ei-lo no interior da casa!’, não acrediteis” (ARA);
F  João 12.12-15: “O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas” (ARA).

Se é inevitável, como nos protegemos dessa situação? O profeta Oséias primeiro adverte e, depois, ensina:
±  O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos” (4.6 – ARA);
±  Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (6.3 – ARA).

Ou seja, a única forma de nos protegermos desses indivíduos é CONHECENDO A PALAVRA DE DEUS, pois o conhecimento da Palavra traz a verdadeira orientação da parte do Senhor e nos protege dos enganos, doutrinas de demônios e da avareza dos homens.
O escritor da Carta aos Hebreus nos alerta quanto ao perigo de continuarmos vivendo em imaturidade espiritual, devido à falta de conhecimento espiritual:
A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” (5.11-14 – ARA, meus destaques).

Vejam bem como ele nos alerta: Não podíamos aprender mais a respeito da revelação do Ministério de Cristo, de acordo com o sacerdócio de Melquisedeque, porque nos tornamos tardios em ouvir e, em vez de sermos mestres (conhecedores profundos dos mistérios da Palavra de Deus), devido aos anos em que nos aplicamos a conhecer (ou deveríamos ter nos aplicado) a Palavra de Deus, continuávamos sendo como crianças, necessitando do ensino dos princípios elementares da Palavra de Deus. O alimento sólido, que é o conhecimento pleno da Palavra de Deus, é dado àquele que DESEJA TER O CONHECIMENTO. E esse conhecimento nos ajudam A DISCERNIR TANTO O BEM COMO O MAL.
Você me pergunta: por que coloquei “NÓS” no resumo do texto, quando o escritor colocou a segunda pessoa “TU, VÓS”? Porque, de alguma forma, nós deixamos de amadurecer na fé quando demoramos a aprender princípios e verdades contidas na Palavra de Deus. Isso nos torna imaturos espiritualmente, dificultando até mesmo o discernimento do que é verdade e do que é mentira, inclusive os ensinos enganosos e doutrinas de demônios. Somente com o conhecimento da Palavra discernimos perfeitamente essas coisas.
Concluindo, devemos ter muito cuidado com os ensinos que são difundidos em nossos dias, pois muitos deles vêm com a intenção de extorquir, ludibriar e enganar o povo, além de profanar o Santo Nome do Senhor Jesus e Sua Noiva, a verdadeira IGREJA, gloriosa, sem mácula, sem ruga, gloriosa, santa e sem defeito (Efésios 5.27 – ARA)!

Que o Senhor lhes abençoe e lhes dê esclarecimentos!

Rio de Janeiro, 28 de novembro de 2010.