domingo, 28 de novembro de 2010

MERCANTILISMO DA FÉ

Não há nada mais revoltante dentro das igrejas em nossos dias do que o mercantilismo da fé. Pessoas de índole ruim se infiltraram nas nossas igrejas, através de uma conversão que, aparentemente, foi verdadeira. Depois de algum tempo, começam a mostrar uma capacidade de convencimento dentro das igrejas a que se filiaram, conquistam os corações dos membros e, por que não dizer, até mesmo de seus líderes, que veem como certo consagrá-los ao Ministério Pastoral, pois enxergam neles uma “unção” que não encontravam em outras pessoas, mesmo com mais tempo de igreja.

Porém, depois de algum tempo, somos surpreendidos com algumas atitudes estranhas, seja provocando divisões, seja começando a ensinar doutrinas estranhas. Eles usam as mesmas táticas em ambos os casos: trazem mensagens truncadas, tiradas da própria Bíblia, usando textos fora de contexto para justificar suas ideias. Com o tempo, essas ideias vão se enraizando, crescendo, formando adeptos cada vez maiores. A princípio, essas ideias dão resultado, fazendo com que seus seguidores achem que estão realmente sendo abençoados por Deus e sendo convencidos que esses indivíduos são usados pelo Senhor e acabam por espalhar essas ideias, ganhando novos adeptos.

No entanto, conforme essas ideias começam a crescer, começam também a aparecer as “garras” desses indivíduos: a arrogância, a prepotência e a vaidade. Com o passar do tempo, consideram-se dotados de uma visão mais “apurada” que os outros, mais “abençoados” que os outros e que receberam uma “unção” mais “especial” que os demais. Depois, começam a acusar os outros de estarem “no caminho errado”, pois somente eles têm a “verdadeira e definitiva revelação vinda de Deus”. Mais tarde, começam a ridicularizar o que está escrito na Bíblia, dando “novas interpretações” e “relativizando” os ensinamentos eternos da Palavra de Deus, “adequando-as” aos seus próprios interesses. Começam a por em livros essas ideias, a fim de formarem doutrinas diferentes, achando-se os “novos apóstolos”, incumbidos de trazer “revelações” que Deus “esqueceu” de revelá-las quando a Bíblia foi escrita…

Entretanto, quando lemos a Palavra de Deus mais detalhadamente, vemos que essa prática não é nova; pelo contrário, vem de muito tempo atrás, desde os tempos dos profetas de Israel e Judá. Vejamos as passagens a seguir:
  • Isaías 56.9-12: “Vós, todos os animais do campo, todas as feras dos bosques, vinde comer. Os seus atalaias são cegos, nada sabem; todos são cães mudos, não podem ladrar; sonhadores preguiçosos, gostam de dormir. Tais cães são gulosos, nunca se fartam; são pastores que nada compreendem, e todos se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, todos sem exceção. ‘Vinde’, dizem eles, ‘trarei vinho, e nos encharcaremos de bebida forte; o dia de amanhã será como este e ainda maior e mais famoso” (ARA);
  • Jeremias 2.8: “Os sacerdotes não disseram: Onde está o SENHOR? E os que tratavam da lei não me conheceram, os pastores prevaricaram contra mim, os profetas profetizaram por Baal e andaram atrás de coisas de nenhum proveito” (ARA);
  •  Jeremias 23.1-2: “‘Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto’! diz o SENHOR. ‘Portanto’, assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, contra os pastores que apascentam o meu povo: ‘Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes, e delas não cuidastes; mas eu cuidarei em vos castigar a maldade das vossas ações, diz o SENHOR’” (ARA);
  • Jeremias 50.6: “O meu povo tem sido ovelhas perdidas; seus pastores as fizeram errar e as deixaram desviar para os montes; do monte passaram ao outeiro, esqueceram-se do seu redil” (ARA);
  • Ezequiel 34.1-6: “Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: ‘Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas? Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas. A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. Assim, se espalharam, por não haver pastor, e se tornaram pasto para todas as feras do campo. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo elevado outeiro; as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque’” (ARA).
Como podemos ver, os profetas Isaías, Jeremias e Ezequiel deram dicas do comportamento desses maus pastores. Eles não têm cuidado pelas ovelhas do Senhor, cuidam dos seus próprios interesses e só buscam satisfazer suas ganâncias e vaidades. Além disso, como fala a última passagem (de Ezequiel), esses maus pastores usurpam o parco salário de seus seguidores (comem a gordura), se aproveitam da boa-fé alheia (vestem-se da lã que vem das ovelhas) e oprimem com doutrinas enganadoras (degolam a cevada). Ainda por cima, não cuidam de seus seguidores (não apascentam), não restauram os que estão caídos (as fracas e doentes), abandonam os que se desviaram (as desgarradas e as perdidas), porque trataram aquelas pessoas com ignorância e rigor excessivo. Ou seja, eles provocaram uma verdadeira debandada entre os filhos de Deus!


Infelizmente, mesmo com a revelação da Graça de Deus, essa situação não mudou. O apóstolo Paulo sofreu muito com a exploração vinda de diversos falsos apóstolos que, literalmente, minaram seu trabalho nas igrejas que ele estabeleceu na Ásia. Vejam o que ele fala sobre esses indivíduos:
  • II Coríntios 2.17: “Porque nós não estamos, como tantos outros, mercadejando a palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus” (ARA);
  • II Coríntios 11.13: “Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo” (ARA);
  • II Coríntios 12.11-17: “Tenho-me tornado insensato; a isto me constrangestes. Eu devia ter sido louvado por vós; porquanto em nada fui inferior a esses tais apóstolos, ainda que nada sou. Pois as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos. Porque, em que tendes vós sido inferiores às demais igrejas, senão neste fato de não vos ter sido pesado? Perdoai-me esta injustiça. Eis que, pela terceira vez, estou pronto a ir ter convosco e não vos serei pesado; pois não vou atrás dos vossos bens, mas procuro a vós outros. Não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais, para os filhos. Eu de boa vontade me gastarei e ainda me deixarei gastar em prol da vossa alma. Se mais vos amo, serei menos amado? Pois seja assim, eu não vos fui pesado; porém, sendo astuto, vos prendi com dolo. Porventura, vos explorei por intermédio de algum daqueles que vos enviei?” (ARA);
  • II Timóteo 3.1-7: “Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade” (ARA).
Além do apóstolo Paulo, o apóstolo Pedro também falou sobre esses maus obreiros:
II Pedro 2.1-3: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição. E muitos seguirão as suas práticas libertinas, e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade; também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” (ARA).

Como podemos ver, por mais que esses maus obreiros continuem a praticar suas atrocidades, eles não permanecerão impunes, principalmente porque eles interferem na continuidade da pregação da mensagem do Amor de Deus ao mundo, pois eles infamaram (fizeram perder a boa reputação; desonraram; desacreditaram por difamação) o Caminho da Verdade (como eram chamados os cristãos nos tempos da Igreja Primitiva). O próprio Senhor Jesus fala sobre eles assim:
F  Mateus 18.6-8: “Qualquer, porém, que fizer tropeçar a um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo! Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno” (ARA);
F  Mateus 24.10-13, 23-26: “Nesse tempo, muitos hão de se escandalizar, trair e odiar uns aos outros; levantar-se-ão muitos falsos profetas e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo… Então, se alguém vos disser: ‘Eis aqui o Cristo!’ Ou: ‘Ei-lo ali!’ Não acrediteis; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos. Vede que vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: ‘Eis que ele está no deserto!’, não saiais. Ou: ‘Ei-lo no interior da casa!’, não acrediteis” (ARA);
F  João 12.12-15: “O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário foge, porque é mercenário e não tem cuidado com as ovelhas. Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem a mim, assim como o Pai me conhece a mim, e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas” (ARA).

Se é inevitável, como nos protegemos dessa situação? O profeta Oséias primeiro adverte e, depois, ensina:
±  O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos” (4.6 – ARA);
±  Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e ele descerá sobre nós como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (6.3 – ARA).

Ou seja, a única forma de nos protegermos desses indivíduos é CONHECENDO A PALAVRA DE DEUS, pois o conhecimento da Palavra traz a verdadeira orientação da parte do Senhor e nos protege dos enganos, doutrinas de demônios e da avareza dos homens.
O escritor da Carta aos Hebreus nos alerta quanto ao perigo de continuarmos vivendo em imaturidade espiritual, devido à falta de conhecimento espiritual:
A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim, vos tornastes como necessitados de leite e não de alimento sólido. Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal” (5.11-14 – ARA, meus destaques).

Vejam bem como ele nos alerta: Não podíamos aprender mais a respeito da revelação do Ministério de Cristo, de acordo com o sacerdócio de Melquisedeque, porque nos tornamos tardios em ouvir e, em vez de sermos mestres (conhecedores profundos dos mistérios da Palavra de Deus), devido aos anos em que nos aplicamos a conhecer (ou deveríamos ter nos aplicado) a Palavra de Deus, continuávamos sendo como crianças, necessitando do ensino dos princípios elementares da Palavra de Deus. O alimento sólido, que é o conhecimento pleno da Palavra de Deus, é dado àquele que DESEJA TER O CONHECIMENTO. E esse conhecimento nos ajudam A DISCERNIR TANTO O BEM COMO O MAL.
Você me pergunta: por que coloquei “NÓS” no resumo do texto, quando o escritor colocou a segunda pessoa “TU, VÓS”? Porque, de alguma forma, nós deixamos de amadurecer na fé quando demoramos a aprender princípios e verdades contidas na Palavra de Deus. Isso nos torna imaturos espiritualmente, dificultando até mesmo o discernimento do que é verdade e do que é mentira, inclusive os ensinos enganosos e doutrinas de demônios. Somente com o conhecimento da Palavra discernimos perfeitamente essas coisas.
Concluindo, devemos ter muito cuidado com os ensinos que são difundidos em nossos dias, pois muitos deles vêm com a intenção de extorquir, ludibriar e enganar o povo, além de profanar o Santo Nome do Senhor Jesus e Sua Noiva, a verdadeira IGREJA, gloriosa, sem mácula, sem ruga, gloriosa, santa e sem defeito (Efésios 5.27 – ARA)!

Que o Senhor lhes abençoe e lhes dê esclarecimentos!

Rio de Janeiro, 28 de novembro de 2010.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

REFLEXÕES DE UM COTIDIANO NA SOCIEDADE

Às vezes, tenho medo de começar a postar no meu blog sem preparar um texto antes, pois sei que o que eu escrever nele, vou deixar gravado do jeito "que veio ao mundo". Queria, sinceramente, que este texto ganhasse o mundo virtual e fosse parar nas mãos de muitas pessoas que, pensando como eu, não se sinta como eu me sinto, uma voz perdida no meio do deserto da mediocridade humana, assim como também fosse parar nas mãos de quem não pensa assim, mas que tivesse a hombridade de discordar do que eu penso e dizer por quê, pois até mesmo uma discordância é mais bem-vinda do que um bando de "vacas-de-presépio" balançando suas cabeças para cima e para baixo ou meneando para os lados, sem dizer ao menos se entendeu ou não o que foi dito.

Vamos, agora, às minhas reflexões.

Sempre que vou ao supermercado, sinto como se eu estivesse indo a uma sessão de tortura terapêutica. Não é por causa do dinheiro contado e a necessidade ser mais cara do que aquilo que tenho no bolso, pois já me acostumei a isso e vejo que assim é melhor, pois "não gasto naquilo que não é pão...". A sessão de tortura começa exatamente NO FINAL DAS COMPRAS, mais particularmente NA HORA DE PAGAR. Volto a dizer, NÃO SE REFERE AOS PREÇOS DAS COISAS, mas sim na atitude de algumas pessoas que LARGAM NOS CAIXAS PRODUTOS PERECÍVEIS, COMO CARNES, PRODUTOS LÁCTEOS, MARGARINAS e demais coisas QUE PRECISAM DE REFRIGERAÇÃO. Quero que isso ganhe o mundo, se espalhe pelos quatro cantos desse universo cibernético, seja traduzido para outras línguas e dialetos, que alcance o maior número possível de gente pela Rede Internacional. Pois, se um indivíduo desses compra um desses produtos e estiver ESTRAGADO, ELE VAI PROCESSAR O MERCADO E VAI GANHAR!!! Mas, sabe por que estava estragado? PORQUE ALGUÉM, COMO ELE, DEIXOU A MERCADORIA PERECÍVEL FORA DO REFRIGERADOR, E ELA APODRECEU!!!

Não entendo, E NÃO QUERO ENTENDER o que se passa na cabeça dessa pessoa, só sei que isso ME REVOLTA, ME TIRA DO SÉRIO e já tive o descabimento de fazer uma senhora passar vergonha (na verdade, eu é que me senti envergonhado por minha atitude), ao perguntar-lhe por quê não estava levando aquelas quatro bandejas de carne. Adivinha quem virou o "bobo-da-corte"? Pois é, se a gente se propõe a mudar o mundo e a fazer o que é correto, a gente passa a ser o "bobo-da-corte", o "pagador-de-mico"... Mas é uma sensação esquisita: se ajo, pareço um bobo, mas fico com minha consciência tranquila; se me calo, não pareço um bobo, mas minha consciência fica formigando, me cobrando uma atitude que deixei de tomar por pura covardia, omissão e conivência.

Se você ler, esteja à vontade para comentar, discordar e até zombar de mim. Eu postei esse texto com esse propósito mesmo.

sábado, 2 de outubro de 2010

EU, O PRÓDIGO

Você pode me chamar por qualquer nome; prefiro me apresentar como as Escrituras me chamam: o Pródigo. Antes de contar minha história, você sabe o que é ser um "pródigo"? Por favor, não confunda com "prodígio" (risos). Não, não sou um exemplo para ninguém. Pelo menos, não era quando resolvi sair da casa do meu pai. Ele tentou, inutilmente, me manter ao seu lado, cuidando dos animais, coisa que eu gostava de fazer, de verdade.

Sentir o cheiro do gado, sentir a textura dos pelos das ovelhas e carneiros, ouvir o balido das cabras e bodes, brincar com os cães. Mas tudo isso começou a perder a graça para mim quando alguns parentes vieram da cidade e contaram as coisas "legais" que existiam nela. Isso despertou a curiosidade em mim. Ela foi se tornando cada vez mais forte, até o dia em que disse ao meu pai:
- Pai, quero viajar à cidade, para ver o que acontece lá. De repente, quero até mesmo começar um novo negócio lá, ampliar os horizontes da nossa fazenda.

Meu pai, entretanto, respondeu preocupado:
- Filho, sei que você tem uma visão muito boa para os negócios, mas acho que não é este o momento para expandirmos. Está chegando a época da seca, quando nossas colheitas caem muito e os animais ficam mais magros, por causa da falta de comida. Se você tem tanto interesse em expandir, espere pela época das chuvas serôdias. Eu até irei com você, para conversarmos com os mercadores.

Quando meu pai falou em "ir comigo", fiquei extremamente irritado! Pensei; melhor, pensei não; respondi de cara!
- Pai, você está achando que sou um retardado, um idiota? Desde quando precisei de um tutor para fazer as coisas, principalmente para negociar? Meu irmão nunca saiu da sua aba, ele nunca foi à cidade. Pelo contrário, sempre ficou aqui, cuidando das colheitas, do feno dos animais. Ele não tem ambição alguma! Já eu, não! Quero conhecer o mundo, negociar, atingir o topo do mundo!

O pai, muito triste, respondeu:
- Filho, eu compreendo sua ansiedade. Sei que você está numa idade em que é necessário aprender mais da vida, expandir seus horizontes, explorar novos desafios. Mas este não é o momento para fazer isso! Você vai jogar seu dinheiro fora à toa! Filho, por favor, não faça tamanha tolice! Espere até o tempo das chuvas serôdias! Escute o que estou lhe dizendo!

No entanto, em vez de ouvir o sábio conselho do meu pai, só ouvia o murmúrio lúgubre da cidade chamando o meu nome. Respondi asperamente ao meu pai:
- Não adianta, pai! Quero o que me cabe na herança! Quero meu dinheiro para investir e negociar com os mercadores! Vou à cidade, e ninguém vai me impedir!

Percebi que meu pai ficou muito triste, mas eu só conseguia enxergar o futuro diante de mim: negociações, esquemas para viagens dos mercadores, mercadorias, mulheres. Enfim, tudo o que o dinheiro pudesse pagar. Ele foi até um quarto escondido em seu quarto, trouxe uma bolsa cheia de ouro e outra cheia de prata e as colocou diante de mim, sobre a mesa. Com lágrimas jorrando de seus olhos, disse:
- Meu filho, saiba que estou destruído dentro de mim, de tanta tristeza em vê-lo partir. Mas saiba que sempre estarei de braços abertos, esperando por você. Nunca esqueça que eu o amo, independente do que venha a acontecer!

Apesar de ver as lágrimas rolando de seus olhos e de ver seus lábios se mexendo, falando comigo, não prestei a menor atenção no que ele disse. Minha atenção estava toda naquelas sacolas de ouro e prata e no que elas poderiam me proporcionar. Meu irmão? Sei lá, eu o vi à porta do celeiro, mas nem conversei com ele. Não queria perder meu tempo falando com ele. Seria pura perda de tempo.

Montei em meu cavalo, que havia comprado ao sul de Canaã, próximo à Arabá. Meu pai achou que fora loucura ter comprado um animal tão caro, principalmente porque ele só servia de montaria, mas não para o arado. Mas, depois de uma volta com ele pelo campo, percebeu o quanto era bom montá-lo. Era um animal veloz, elegante, forte. Galopava tão veloz que o vento era como se fosse uma parede, forçando o meu corpo para trás, quase me lançando para fora de seu lombo.

Depois de três dias de viagem, avistei a cidade. Era linda, imponente, intimidadora. Ela parecia não dar muitas chances ao erro, mas dava importância a quem acertava. Ela ignorava os perdedores, mas exaltava os vencedores ao extremo do céu! Conheci vários mercadores, negociadores, imigrantes vindos de diversas partes do mundo: assírios, persas, medos, arábios, egípcios, ismaelitas, damascenos, samaritanos. Com eles, várias mulheres de iguais nacionalidades, de belezas estonteantes.

Na primeira noite na cidade, negociei a remessa de cem ovelhas para Damasco, vindas da Arabá, em um comboio ismaelita. Custaram cem siclos de prata. Segundo os damascenos, "foi uma pechincha"! Como presente, eles me deram vinte siclos de prata e duas mulheres egípcias, que haviam recebido como parte do pagamento de um negócio no Egito. Eram lindas, altas, robustas, apesar de esguias. Naquela noite, gastei dez siclos em bebidas e comidas exóticas, não só com aquelas egípcias, mas também com alguns amigos que conheci ali.

No dia seguinte, conheci negociadores arábios, com quem negociei a remessa de dois ômeres de cereais para a Assíria, que custariam quinhentos siclos de prata. Dessa remessa, eu recebi trinta siclos pela negociação e receberia mais trinta siclos no ato da entrega, pois iria com os mercadores para lá.

Só que, no dia seguinte, veio uma tempestade de areia tão violenta, que a caravana ficou presa na cidade por cinco dias. Quando ela, enfim, enfraqueceu, toda aquela safra de cereais havia se perdido, pois os silos, onde estavam estocados, desabaram. Os camelos dos mercadores morreram. O dinheiro que eu havia recebido de meu pai tinha acabado. Ou seja, tudo destruído!

Depois de duas semanas, fui à procura dos mercadores com quem havia negociado, mas eles já haviam ido embora, levando com eles as egípcias da primeira negociação. Resolvi, então, voltar à estalagem onde eu estava hospedado, mas seu dono dissera que só poderia entrar se pagasse, pelo menos, uma semana adiantado. Como não tinha mais dinheiro comigo, fiquei perambulando pela cidade, que agora parecia um lobo faminto, prestes a devorar-me. Andei por várias milhas para fora da cidade, quando encontrei uma fazenda que criava porcos. Ah, sim, meu cavalo arábio? Ele morreu na tempestade de areia também…

Quando eu cheguei a tal fazenda, encontrei um homem. Apresentei-me a ele e ele disse que era o dono dela. Perguntei-lhe se ele tinha algo para eu fazer, pois havia perdido todo o meu dinheiro na cidade, por causa da tempestade de areia. Ele disse que, a princípio, só tinha vaga para cuidar dos porcos dele. Aceitei prontamente. Fui cuidar dos porcos daquele homem. Eram cerca de cinquenta porcos, chiavam, reclamavam, fediam… Quando fui colocar a comida deles, aquelas bolotas bolorentas, me deu um aperto no estômago, mas não de nojo, era de fome… De repente, senti saudades de casa; mais particularmente, do meu pai. Foi neste momento em que, pela primeira vez, orei:
- Senhor, pela primeira vez estou procurando por Ti e por Teu perdão. Abandonei meu pai por causa da minha ganância, por querer conhecer o mundo e, por querer ser mais esperto que os outros, acabei com toda a herança que meu pai me dera e agora estou aqui, cuidando desses porcos, que pertencem a um estranho, e quero comer as frutas e a comida que eles estavam comendo.

- Como eu queria estar entre os empregados do meu pai! Eles têm comida de sobra, comida boa e não restos. Nem mesmo os animais do meu pai comem sobras; pelo contrário, eles têm o melhor pasto, a melhor ração, a água mais fresca, o feno mais macio.

- Quer saber, Senhor? Vou tomar coragem e pedir a meu pai para me contratar como um de seus servos, pois, depois de tudo o que fiz contra ele, não sou digno de chamá-lo de pai, pois não mereço ser filho dele. Ele sempre foi justo, digno e amigo dos necessitados. Eu não tenho dignidade, desperdicei toda a minha herança e só fui amigo de ladrões e de trapaceiros. E, justamente estes, que me abandonaram.

Mal terminei de orar, tomei um susto. Era o dono dos porcos, com os braços cruzados e os olhos marejados. Ele disse, como a voz embargada:
- É, seu pai é um homem de sorte! Quem dera se meus filhos tivessem a hombridade de pedir perdão por cada erro que cometem! Só sabem dizer que eu estou errado quando erro, mas eles mesmos não admitem quando erram! Filho, vá em paz! Que o Senhor o acompanhe e o guarde de todo o mal! Que Ele prepare o coração de seu pai para recebê-lo de braços e coração abertos!

O dono dos porcos me deu algumas roupas antigas, um cantil com água e uma bolsa com algumas moedas de prata e alguns pães e um pote com pasta de figos e mel. Tomei rumo em direção ao norte, de volta à fazenda de meu pai, com o coração apertado de medo, mas disposto a enfrentar tudo e a todos, inclusive meu pai. Como a jornada iria durar por volta de três dias, resolvi viajar somente durante o dia e descansar nas cavernas à noite, para me proteger dos bandidos e dos animais ferozes. Quando o sol estava se pondo, resolvi parar numa caverna bem próxima à estrada. Ali orei novamente, agradecendo a Deus pela chance de estar voltando para a casa de meu pai. Mesmo que ele não me receba de volta, mesmo assim vencerei o medo de ser rejeitado. Sinto até mesmo que Deus está mais próximo de mim agora…

O sol está despontando e chegou o momento de voltar à minha jornada. Nem percebi o quanto minha roupa estava suja e fedida. Acho que ursos andaram dormindo na caverna onde eu dormi. Ou será que foram leões… De qualquer forma, vou seguir viagem. Nem percebi o quanto foi rápido. De repente, ouvi balidos familiares e mugidos bem comuns aos meus ouvidos. Até mesmo o som do rio, que corria ao lado da estrada, chamava pelo meu nome e me dava boas-vindas.

Ao longe vi duas coisas que fizeram meu coração estremecer: a velha casa de meu pai e MEU PAI! Vejo que ele ergue seus olhos em minha direção e começando uma corrida bem rápida em minha direção. Quando, enfim, nos encontramos, não tive outra reação do que parar e esperar pelo pior. Ele, por sua vez, quando me viu, somente dizia:
- Meu filho! Ah, meu filho!

Eu gaguejei e disse:
- Por favor, não me trate assim! Não mereço tal tratamento! Eu te fiz sofrer, quase te matei, desperdicei anos de seu trabalho! Não me trate assim!

Ele respondeu:
- Como assim, meu filho? Você é meu filho, estava morto, mas agora está vivo! Pensei que nunca mais iria ver teu lindo rosto de novo, mas eis aqui você, meu filho!

Eu disse o que estava em meu coração:
- Olhe, meu senhor, não tenho mais dignidade de ser chamado de "filho" pelo senhor. Então, peço ao senhor que me contrate como um de seus empregados, pois, somente assim, viverei. Se for do seu consentimento, quero que o senhor me trate assim, como um de seus empregados.

Meu pai, pelo contrário, chamou todos os seus empregados e lhes ordenou que trouxessem roupas novas, sandálias novas e um anel que tinha seu brasão desenhado nele. Então ele declarou:
- Homens e mulheres que moram em minha casa, venham até aqui! Vejam, meu filho, que estava morto, reviveu! Ele estava perdido, longe do meu coração, mas agora está aqui, bem ao meu lado!

Nem tive tempo de me mexer! Os empregados da casa do meu pai me abraçaram, me beijaram, tiraram os trapos que estava vestindo e me vestiram com as roupas novas, que meu pai ordenou que trouxessem para mim. Depois, calçaram as sandálias em meus pés. Quando eu estava vestido e arrumado, meu pai disse ao novo cuidador dos animais:
- Sabe aquele vitelo que eu pedi a você para separá-lo? Prepare-o, pois todos nós celebraremos hoje. Mande chamar todos os nossos vizinhos, para celebrarmos a ressurreição de meu filho!

Mas nem todos estavam felizes com minha volta. Ao longe, vi meu irmão. Ele meneou a cabeça e seguiu em direção à horta. Aquilo apertou meu coração, mesmo quando meu pai me abraçou fortemente, quase quebrando minhas costelas, e me dizendo:
- Filho, não se preocupe com seu irmão. Ele também sofreu muito com sua partida. Queria ter ido atrás de você, para trazê-lo de volta, nem que fosse pelos cabelos. Não o permiti, pois eu queria que você aprendesse por você mesmo, pois é necessário que você assuma a administração dos meus bens.

- Seu irmão é ótimo agricultor, mas você tem ótima visão de negócios. Era necessário que você aprendesse a esperar pelo momento certo de investir, e sua experiência o ajudou a aprender isso. Mesmo que seu irmão o rejeite neste momento, depois ele compreenderá e verá que você fez o melhor, não apenas para você, mas para todos nós.

Durante o jantar, não vi meu irmão em casa. Depois de alguns momentos, também percebi que meu pai não estava lá. Depois de uma hora ou pouco mais, vi que meu pai estava entrando em casa, acompanhado por meu irmão. Vi que ele relutou um pouco em vir falar comigo, mas depois, disse, com os olhos transbordados de lágrimas:
- Meu irmão, meu querido irmão! Como doeu no meu coração ver você partindo, não só por causa de nosso pai, mas por causa de você mesmo! Como é bom ver você de volta à nossa casa! Por que você fez isso? Meu irmão querido, não faça mais isso! Não suportarei perdê-lo novamente!

Aquela foi a melhor noite da minha vida e, a partir desse dia, o nome "pródigo" pode também ter um novo significado: uma "possibilidade de nova vida". Agradeço a Deus por isso!

Baseado em Lucas 15.11-32.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

“O que é que você veio ver aqui?”

Se existe um provérbio que eu possa considerar bastante sábio é aquele que diz: “O gato morreu de curioso”. É impressionante o que a curiosidade faz com uma pessoa:
1. Ela atrai com algo que chame à nossa atenção;
2. Ela aparenta ter algo de “especial”, de “prazeroso” e, por que não dizer, de “misterioso”;
3. Depois que captura, ela oprime e denigre a moral de sua vítima.

O apóstolo João nos adverte quanto a nos prendermos às coisas deste mundo, dizendo que:
Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vêm do Pai, mas sim do mundo. Ora, o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus, permanece para sempre” (I João 2.15-17, meus destaques).

Perceba que as coisas que há no mundo seguem o mesmo padrão de atração que eu coloquei na sequência acima. Veja também que a atração de Eva pelo fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal seguiu o mesmo padrão:
Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu” (Gênesis 3.6, meus destaques).

Como podemos ver, o Diabo não tem muita criatividade na forma de seduzir e, mesmo assim, caímos na lábia dele com uma facilidade monstruosa. Vemos esse mesmo padrão de sedução em relação aos filhos de Sete, no relato de um livro apócrifo chamado “A Caverna dos Tesouros”, que narra a queda dos filhos de Deus, representados pelos filhos de Sete – que temiam a Deus, por causa da influência negativa exercida pelas depravações praticadas pelos filhos de Caim. Vejamos algumas narrativas deste livro, extraídas do texto “A música e os filhos de Caim”, escrito pelo Pastor Célio Alves da Silva:
Jubal e Tubalcaim, dois irmãos e filhos de Lameque, o cego, o que havia matado Caim, praticavam toda espécie de música. Jubal construiu flautas, cítaras e pífaros. E os demônios introduziram-se neles, e ali se instalaram. Quando eram sopradas, as flautas davam voz aos demônios; e quando eles tangiam as cítaras, os demônios cantavam por elas. E Tubalcaim construiu címbalos, matracas e tambores. E assim recrudescia a depravação dos filhos de Caim, bem como a sua devassidão, e de outra coisa não se ocupavam a não ser da luxúria” (Cap. XI, 34 – meus destaques);

"E reinava a impudicícia entre os filhos de Caim; as mulheres corriam atrás dos homens sem a menor vergonha e misturavam-se com eles numa orgia selvagem... Sopravam as flautas em meio ao vozerio, tocavam as cítaras sob o influxo dos demônios, percutiam os tambores e as matracas, em colaboração com os espíritos maus. E o ruído das gargalhadas elevavam-se nos ares, e foi ouvida no alto da Montanha Sagrada. Quando os filhos de Set escutaram aquele poderoso vozerio e aquelas gargalhadas, vindo do campo dos filhos de Caim, cem dentre eles, homens fortes e vigorosos, reuniram-se e tomaram a resolução de descer até a área dos filhos de Caim" (meus destaques);

Vejam que a curiosidade também capturou os sentidos dos filhos de Sete, a ponto de enviarem cem de seus mais valorosos homens para “averiguar” que “bagunça” era aquela que estava acontecendo no arraial dos caimitas. Não quero entrar no mérito da discussão de dizer se os filhos de Deus eram anjos ou homens, pois isso é uma discussão totalmente infrutífera. O que vemos aqui é que, da mesma forma que a orgia contumaz dos caimitas conseguiu seduzir e capturar os filhos de Sete, a mesma coisa pode fazer com que qualquer um de nós venha a cair, se não tomarmos os devidos cuidados. Vejam o trecho a seguir:
Quero fazer um parêntese para esclarecer um detalhe: os filhos de Set, de acordo com o apócrifo, foram habitar em uma montanha muito alta, bem próxima ao Éden, cuja localização também era no cume de uma alta montanha, enquanto os filhos de Caim foram habitar nas planícies. E, após a morte de Adão, eles fizeram um pacto de que ninguém desceria da montanha e manteria qualquer relação com os caimitas. E isto durou por muito tempo, até o dia em que, uma nova geração começou a surgir e começaram a ter curiosidade de conhecer o povo que habitava as planícies. E levados pela curiosidade daquilo que acontecia na terra, mesmo contra a ordem dos patriarcas, alguns foram conhecer o que se passava no outro mundo” (meus destaques).

Daqui vem o título deste texto: o que, afinal de contas, os filhos de Sete foram ver entre os caimitas? Será que o simples fato de ouvir o som das depravações que aconteciam no arraial dos caimitas não era suficiente para saber que não “rolava” coisa boa entre eles? Como o trecho acima revela, parece que uma nova geração não se contentou com a ordem dos patriarcas de não se envolverem com os caimitas e sentiram uma curiosidade crescente de conhecer aqueles “primos” rebeldes. Quem sabe alguém dos filhos de Sete “convertia” os caimitas e os traria de volta ao caminho do Criador?

Espero que compreendam o que vou dizer aqui, pois sei que vou suscitar interpretações dúbias. Muitas vezes, na ânsia de não parecermos “quadrados” diante do “mundão”, adotamos algumas práticas que são visivelmente contrárias à Palavra de Deus, e essas práticas vão-se tornando cada vez mais permissivas, dando margem a práticas cada vez mais nocivas. Isso acontece quando os jovens têm muita licenciosidade em seus namoros, quando Pastores começam a praticar atos imorais para conseguir licenças e outros documentos públicos para suas Igrejas, quando há divórcios e adultérios em nosso meio, simplesmente porque um cônjuge “cansou da cara” do outro e vemos uma sequência infinita de casamentos, como acontece na mídia secular.

Como o salmista Davi fala, um abismo chama outro abismo (Salmo 42.7). A partir do momento em que damos oportunidade de o inimigo nos convencer de fazermos algo de errado, mesmo que aparentemente (ou socialmente) correto, aos olhos do nosso Deus é PECADO, e tudo o que vem deste mundo não convém aos filhos de Deus, como o apóstolo João nos alerta:
Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno” (I João 5.20).

O apóstolo Paulo também nos adverte que:
Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas; mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas” (I Coríntios 6.12).

Quando eu falei sobre o fato de alguns em nosso meio praticarem coisas que são “comuns” lá fora, acho que não mencionei nada que fosse “lícito”, nem socialmente falando (pois, da lista que mencionei, há muita permissividade, mas nada lícito, no sentido formal da palavra...), nem espiritualmente falando. Um ditado que eu mesmo havia criado para me conter durante minha juventude expressa bem como algo permitido hoje pode virar um pecado bem maior amanhã: “Se você cede hoje nas pequenas coisas, vai ceder nas maiores amanhã”. Na prática, sendo bastante claro:
a) A "mão boba" hoje pode gerar uma gravidez indesejada, ou um divórcio, ou uma traição amanhã;

b) Um software "pirata" de hoje pode gerar uma nota fria, um escândalo ou uma prisão amanhã;

c) Um olhar lascivo hoje pode gerar uma traição, um lar destruído e uma vergonha enorme amanhã;

d) Um agradozinho ao fiscal de rendas hoje pode virar uma prisão amanhã.

Concluindo este texto, vemos que, dos filhos de Sete sobrou somente Noé e sua família como um remanescente fiel a Deus. É impressionante como o Senhor sempre separa para Si aqueles que não se curvam a Baal, a Mamon ou a qualquer outra coisa que se levante contra a Santidade dEle! Nós (sim, me incluo neste trecho) precisamos ter em mente e pôr em prática que nada, NADA MESMO é mais valioso do que termos a presença do nosso Deus em nossas vidas! Se vivemos um aparente desprezo por parte do mundo e por parte daqueles que cederam aos seus apelos sutis e destrutivos, devemos ter em mente que:
Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo” (Mateus 24.13);

Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus” (Apocalipse 2.7);

Sê fiel até a morte, e dar-te-ei a coroa da vida… O que vencer, de modo algum sofrerá o dado da segunda morte” (2.10, 11);

Ao que vencer darei do maná escondido, e lhe darei uma pedra branca, e na pedra um novo nome escrito, o qual ninguém conhece senão aquele que o recebe” (2.17);

Ao que vencer, e ao que guardar as minhas obras até o fim, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com vara de ferro as regerá, quebrando-as do modo como são quebrados os vasos do oleiro, assim como eu recebi autoridade de meu Pai; também lhe darei a estrela da manhã” (2.26-28);

O que vencer será assim vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida” (3.5a).

Seja um Vencedor! Não se deixe levar pelas ofertas infames do mundo!



16 de agosto de 2010.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

SUICÍDIO, O ENGANO FINAL DE SATANÁS

Desde que foi enganado por Satanás no Éden (Gênesis 3), a ansiedade do ser humano em querer descobrir a “independência” de Deus e andar segundo sua própria vontade e seus próprios desígnios, sempre o levou à morte, como o próprio Deus havia avisado:

Coma livremente de qualquer árvore do jardim, mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá” (Gênesis 2.16-17 - NVI).

Assim como aconteceu na narrativa da queda, atualmente vemos o mesmo engano difundido pelo diabo, ao querer impor nas mentes humanas a ideia errada de que temos “direito” a conquistarmos o queremos. Esse primeiro engano é bastante difundido por líderes religiosos que não têm escrúpulos, ao incutir nas mentes fracas e imaturas espiritualmente a ideia errada de que Deus “é obrigado” a conceder o que queremos, mediante “barganhas”, “pirracinhas” infantis do tipo “se Tu és Deus na minha vida”, “se Deus é Deus”, “se a Tua Palavra é verdade”, “eu declaro isso ou aquilo”, além de outras atitudes claramente antibíblicas.

Essa é uma atitude de rebelião terrível, pois queremos trocar de posição com Deus, ao colocá-Lo na posição de servo e nós, de senhores. Só que as coisas não acontecem dessa forma. É uma arrogância monstruosa, da parte do ser humano, querer agir assim. A Bíblia tem diversas passagens que demonstram a tolice do ser humano em querer agir assim:

Quem é esse que obscurece o meu conselho com palavras sem conhecimento?” (Jó 38.2 – NVI);

Do Seu trono nos céus o Senhor põe-se a rir e caçoa deles” (Salmo 2.4 – NVI);

Os olhos do arrogante serão humilhados e o orgulho dos homens será abatido; somente o Senhor será exaltado naquele dia” (Isaías 2.11; 17 – NVI);

De quem você zombou e contra quem blasfemou? Contra quem você ergueu a voz e contra quem levantou seu olhar arrogante? Contra o Santo de Israel!… Sim, contra mim você se enfurece, o seu atrevimento chegou aos meus ouvidos; por isso, porei meu anzol em seu nariz e o meu freio em sua boca, e o farei voltar pelo caminho por onde veio” (Isaías 37.23, 29).

Essas passagens são suficientes para demonstrar que a arrogância humana nada mais é do que a demonstração de sua imaturidade e insanidade diante de Deus.

Evidentemente, existem diversas situações circunstanciais e naturais que impedem que certas coisas aconteçam, que impedem que aquele “direito” não venha a consolidar-se. É aqui que começa o segundo estágio do engano do nosso inimigo, a “vitimação”. Ela tem dois aspectos bastante claros: a pessoa que foi iludida pelo inimigo tem duas reações bastante claras: a de se autoacusar e a de acusar os outros por não ter alcançado aquele “direito” a que ele pensava ter direito.

Essa “vitimação” afasta as pessoas da pessoa que foi enganada pelo diabo, pois ela só fala e vive em função daquele “direito” perdido. Por causa desse afastamento, ela se torna amarga e agressiva, além de depressiva e melancólica. Se for uma pessoa que, anteriormente, era temente ao Senhor, aí é mais grave, porque o Senhor nos ensina que o coração dessa pessoa é como uma casa limpa, decorada, porém vazia, e vai ser invadida pelo mal que foi antes expulso, só que em companhia de outros sete, indicando que ela será atormentada não somente por aquele pecado anterior, como por outros piores. (Mateus 12.43-45; Lucas 11.24-26).

Por fim, vendo que está sozinha e pensando que não há perdão para ela, acaba se desesperando e dando cabo de sua própria vida. Ou seja, o suicídio é a cartada final de Satanás na sua ânsia por destruir a mais bela criação divina: O SER HUMANO!

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

DOMINAR O PECADO DEPENDE DE NÓS (CONTINUAÇÃO)

ANSIEDADE, UM PECADO BASTANTE ASTUTO (09 DE AGOSTO DE 2010):
"Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças" (Filipenses 4.6);
"Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele, em tempo oportuno, vos exalte, lançando sobre Ele a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós" (I Pedro 5.6-7).
Se pudéssemos atribuir uma característica psicológica humana à ansiedade, ela seria a ASTÚCIA. Antes de explicarmos essa característica, vejamos como são definidas a ANSIEDADE e a ASTÚCIA:
a) "Ansiedade (lat anxietate) sf 1. Aflição, angústia, ânsia. 2. Psicol Atitude emotiva relativa ao futuro e que se caracteriza por alternativas de medo e esperança; medo vago. 3. Desejo ardente. 4. Impaciência";
b) "Astúcia (lat astutia) sf 1. Manha, habilidade para o mal, ou para enganar alguém. 2. Estratagema. 3. Esperteza. 4. pop. Travessura. Antônimo (acepção 1): franqueza, lealdade". (Dicionário da Língua Portuguesa - Professor Pasquale, Melhoramentos, 2009.
Ou seja, a ansiedade, dentre todos os pecados que nos assediam (Hebreus 12.1), é o que é mais astuto, pois ela é uma característica inerente ao tempo em que vivemos, sendo, inclusive, considerada "a doença do século", não poupando crianças, jovens, adultos, homens, mulheres, idosos, ricos, pobres, crentes, ateus, orientais, ocidentais. Ou seja, todos, de uma forma ou de outra, são atingidos por esse pecado voraz, astuto e extremamente mortal.
O que é mais interessante, entretanto, é que a Bíblia trata da ansiedade de forma bastante dura, sem meias palavras, pois ela já vinha atacando as pessoas em todas as eras, como veremos nas passagens a seguir:
a) Mateus 6.25, 27: "Por isso, vos digo: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes?" Ou seja, não podemos dar mais valor às coisas do que a nós mesmos, pois permanecemos muito mais tempo do que a comida com que nos alimentamos, e depois as eliminamos, ou as roupas com que nos vestimos, que envelhecem e se rasgam;
b) Lucas 12.25: "Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida?", ou "Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora à sua vida?" (versão NVI). Como é dito em alguns filmes americanos, "essa é a pergunta que vale um milhão". Se, por mais que sejamos organizados, não conseguimos acrescentar uma hora à nossa vida (das dezesseis que temos naturalmente disponíveis), ansiosos, preocupados, agitados de um lado para o outro, não vamos conseguir nada mais do que nos enrolar cada vez mais. Alguém deve perguntar: não seriam vinte e quatro as horas do dia de todo mundo? A não ser que você seja um sonâmbulo ou um viciado em trabalho (dois sérios candidatos à loucura...), todos nós precisamos de, pelo menos, oito horas de sono para sobrevivermos. Então, se não somos capazes de organizarmos nossas vidas e tarefas, com a intenção de ganharmos mais uma hora em nossa vidinha conturbada, por que continuamos ansiosos por coisas que estão fora do nosso controle? O Senhor Jesus responde a esta pergunta: "Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras?". Como fala uma propaganda, "simples assim".
Como podemos ver nas passagens em destaque, não ficarmos ansiosos não é uma opção, é uma ORDEM! É uma ordem expressa tão importante quanto àquela proferida pelo Senhor Deus a Adão e Eva, quanto a não comerem da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gênesis 2.17). Se esta ordem tinha o poder de impedir a entrada da morte e do pecado na vida do Homem e no mundo, que é dirigido por ele, a ordem de não ficarmos ansiosos pode nos proteger de diversas consequências ruins, dentre as quais:
a) Dúvida: A dúvida não permite que confiemos plenamente no Senhor. A falta de confiança no Senhor impede que Suas bênçãos cheguem à nossa vida:
"De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e se torna galardoador dos que O buscam" (Hebreus 11.6); e
"Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; pois o que duvida é semelhante à onda do mar, impelida e agitada pelo vento. Não suponha esse homem que alcançará do Senhor alguma coisa; homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos" (Tiago 1.6-8).
b)Desconfiança: Quando desconfiamos de alguém muito próximo, fica impossível confiarmos na pessoa novamente. Em relação ao Senhor, a quem não vemos, a situação fica ainda mais caótica, e somente com o poder sobrenatural do Espírito Santo para que essa pessoa volte a confiar plenamente no Senhor:
"E, do modo por que Janes e Jambres resistiram a Moisés, também estes resistem à verdade. São homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto à fé; eles, todavia, não irão avante; porque a sua insensatez será a todos evidente, como também aconteceu com a daqueles" (2 Timóteo 3.8-9);
"No tocante a Deus, professam conhecê-Lo; entretanto, O negam por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra" (Tito 1.16).
Concluindo, não importa o que esteja afligindo o seu coração, faça com que essas coisas não ocupem o lugar dentro dele, para que essas coisas não o faça naufragar na fé e o levem para longe do Senhor. Faça conhecido do Senhor aquilo que o aflige, não porque Ele não os conheça, mas para que você os veja do ponto-de-vista correto: como complementos, um acréscimo à vida, não o objetivo, o alvo de uma vida.
Que o Senhor Jesus lhes abençoe ricamente!

sábado, 26 de junho de 2010

DOMINAR O PECADO DEPENDE DE NÓS:

"Então, lhe disse o Senhor: 'Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo'" (Gênesis 4.6-7, meus destaques).

INTRODUÇÃO:
O tema a ser abordado neste texto não é apenas uma ideia trazida pela mente; é uma experiência que tenho vivido nos últimos onze anos, um período em que experimentei alguns sentimentos bastante ruins, como revolta, medo, desânimo, vontade de "sumir do mapa", vontade de virar um eremita... Ou seja, foi um período em que experimentei o que é rebelar-se contra a vontade de Deus e o que é pecar intencionalmente, pois, na minha cabeça, não tinha mais a atenção dEle e, por isso, queria que Ele "usasse" alguém para repreender-me duramente, com palavras bem pesadas, do tipo "ou endireita ou morre". Mas Deus não age assim; Ele não ameaça Seus filhos, Ele os corrige. Seu método de ensino e de correção é, ao mesmo tempo, duro e eficaz, pois Ele mostra NA SUA PALAVRA qual é o caráter de quem insiste em viver no pecado e quais são as consequências de andar no pecado. Em resumo, não há ninguém que seja inocente a Seus olhos, a não ser que esteja debaixo do Sangue do Cordeiro.

O meu objetivo aqui é o de compartilhar com você a minha experiência, mostrando que é NOSSA a obrigação de mantermos nossos olhos, mentes, pés e corações longe das garras satânicas do pecado, e a única forma de nos mantermos longe delas é tendo um coração sempre grato a Deus e reconhecendo a Sua soberania sobre nossas vidas, planos, desejos e projetos.

Que o Senhor nos ajude a andar em Sua presença, viver em santidade e fazer a diferença neste mundo apodrecido pelo pecado.

Martins Pessôa Regis Júnior.

20 de junho de 2010.

A REBELIÃO É UMA FORMA DE INGRATIDÃO A DEUS (23 DE JUNHO DE 2010):

"Olhei, e eis que havíeis pecado contra o Senhor, vosso Deus; tínheis feito para vós outros um bezerro fundido; cedo vos desviastes do caminho que o Senhor vos ordenara... Porém, tomei o vosso pecado, o bezerro que tínheis feito, e o queimei, e o esmaguei, moendo-o bem, até que se desfez em pó; e o seu pó lancei no ribeiro que descia do monte" (Deuteronômio 9.16, 21);

"Quando também o Senhor vos enviou de Cades-Barneia, dizendo: 'Subi e possuí a terra que vos dei', rebeldes fostes ao mandado do Senhor, vosso Deus, e não o crestes, e não obedecestes à sua voz. Rebeldes fostes contra o Senhor, desde o dia em que vos conheci" (9.23-24).

Todos nós conhecemos a história da libertação do povo de Israel do cativeiro egípcio e a caminhada dramática deste povo rumo à Terra Prometida, a região de Canaã, terra fértil dentro da atual Palestina. Entre milagres e a transmissão de ordens, vindas pela parte do Senhor, o povo de Israel, estimulado pelos representantes de outros povos que se infiltraram no meio dele, trazendo murmuração, rebeliões e incredulidade, apesar dos grandes milagres vindos das mãos do Senhor, como a abertura do mar Vermelho e a destruição dos soldados egípcios e o maná, que veio dos céus, como os principais exemplos dessa linda e complicada narrativa.

O apóstolo Paulo se lembra do caso quando escreve à complicada Igreja em Corinto, mostrando que a punição à rebelião é tão severa na Graça como na Lei Mosaica:

"Ora, estas coisas se tornaram exemplos para nós, a fim de que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram. Não vos façais, pois, idólatras, como alguns deles; porquanto está escrito: 'O povo se assentou para comer e beber e levantou-se para divertir-se'. E não pratiquemos imoralidade, como alguns deles fizeram, e caíram, num só dia, vinte e três mil. Não ponhamos o Senhor à prova, como alguns deles já fizeram e pereceram pelas mordeduras das serpentes. Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador. Estas coisas lhes sobrevieram como exemplos e foram escritas para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins dos séculos têm chegado. Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia" (I Coríntios 10.6-12).

Vejam a sequência que Paulo dá aos fatos:

1. Não devemos cobiçar as coisas deste mundo:
Não devemos cobiçar as coisas más, como eles cobiçaram (v. 6). Um exemplo das consequências de alguém que cobiçou coisas más, é a história de Acã, encontrada em Josué 7, que provocou a derrota de Israel em face de Ai, um pequeno vilarejo. Antes de entrarmos no mérito do caso (perdoem a linguagem jurídica, é o hábito...), vejamos o que motivou a queda de Israel. Josué declarou a seguinte condenação sobre Jericó:

"Porém a cidade será condenada, ela e tudo quanto nela houver; somente viverá Raabe, a prostituta, e todos os que estiverem com ela em casa, porquanto escondeu os mensageiros que enviamos. Tão somente guardai-vos das coisas condenadas, para que, tendo-as vós condenado, não as tomeis; e assim torneis maldito o arraial de Israel e o confundais. Porém, toda prata, e ouro, e utensílios de bronze e de ferro são consagrados ao Senhor; irão para o seu tesouro" (Josué 6.17-19, destaques nossos).

Porém Acã não obedeceu a Josué e tomou para si coisas condenadas, o que provocou a ira do Senhor, que fez com que Israel fosse derrotado pela minúscula comunidade de Ai. Vejam a dura palavra vinda do Senhor:

"Respondeu o Senhor a Josué: 'Levanta-te! por que estás assim prostrado com o rosto em terra? Israel pecou; eles transgrediram o meu pacto que lhes tinha ordenado; tomaram do anátema, furtaram-no e, dissimulando, esconderam-no entre a sua bagagem. Por isso os filhos de Israel não puderam subsistir perante os seus inimigos, viraram as costas diante deles, porquanto se fizeram anátema. Não serei mais convosco, se não destruirdes o anátema do meio de vós'" (Josué 7.10-12, grifos nossos).

Atentem para o que o Senhor disse a Josué: ele não deveria ficar prostrado, clamando ao Senhor, pois alguém havia agido contra a proibição prolatada pelo próprio Josué. Deus identificou que pecado foi cometido: alguém havia tomado do anátema (das coisas condenadas), pela prática do furto (que é definido pelo Código Penal brasileiro como "Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel" - artigo 155). Ele agiu de forma dissimulada, furtivamente, escondendo no meio de sua bagagem. Por essa razão, o Senhor não permaneceria com eles, enquanto não fosse destruído o anátema no meio de Israel.

Para identificar o culpado, Josué chamou as doze tribos e, delas, foi sorteada a tribo de Judá; de Judá, foi sorteada a família dos zeraítas; entre os zeraítas, foi escolhido Zabdi, líder de sua família; vindo os homens de sua casa, Acã foi identificado. Ao ser questionado por Josué, ele respondeu:

"Verdadeiramente, pequei contra o Senhor, Deus de Israel, e fiz assim e assim. Quando vi entre os despojos uma boa capa babilônica, e duzentos siclos de prata, e uma barra de ouro do peso de cinquenta siclos, cobicei-os e tomei-os; e eis que estão escondidos na terra, no meio da minha tenda, e a prata por baixo" (7.20-21).

Vejam que coisa triste! Acã tomou para si coisas consagradas à destruição e teve como resultado a punição sobre todo o Israel, por causa da sua cobiça louca. A consequência disso veio: ele, sua família, seus animais, seus bens e aquelas coisas consagradas à destruição, como vocês podem ler em Josué 7.22-26.

Que seriam as coisas consagradas à destruição em nossos dias, tendo por base essa passagem? Podemos elencar uma infinidade de coisas que são maléficas à nossa saúde emocional e espiritual, vindo a trazer destruição para nossos lares e finanças. Dentre elas, podemos mencionar:

  1. Pornografia, que é uma prática de prostituição muito comum em nossos dias, principalmente pelo engano do "nu artístico";
  2. Jogos lícitos (loterias, cassinos – fora do Brasil, "raspadinhas" etc.); jogos ilícitos ("jogo do bicho", bingos etc.);
  3. Pequenos furtos (material do trabalho, dinheiro recebido para determinada finalidade, gasto do tempo em práticas diversas a do trabalho etc.).

Existem outras práticas que, apesar de "habituais" entre os ímpios, para nós, conhecedores da Palavra do Senhor, é abominável aos olhos do Senhor, pois demonstra INFIDELIDADE da nossa parte, contra nós mesmos, nossos familiares, patrões, contra a Sociedade e contra o Senhor! Vejam o que o apóstolo João nos diz sobre essas coisas:

"Porque tudo o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida, não vêm do Pai, mas sim do mundo" (I João 2.16).

2. Não devemos ser idólatras e imorais (25 de junho de 2010):
Paulo continua a nos alertar quanto à progressão da rebelião contra Deus. Como vimos antes, ela começa pela cobiça. A prática da idolatria e da imoralidade também ofende ao Senhor, pois, no primeiro caso, estamos destronando o Senhor do nosso coração e colocando em Seu lugar outras coisas que são efêmeras e que perecem com o tempo. Em relação à imoralidade, a situação é tão ruim quanto: se na idolatria destronamos o Senhor de nossos corações, na imoralidade, profanamos Sua habitação. É exatamente isso: a IMORALIDADE É PROFANAÇÃO! O apóstolo Paulo nos fala sobre isso de forma muito, muito clara:

"Portanto, meus amados, fugi da idolatria. Falo como a entendidos; julgai vós mesmos o que digo. Porventura o cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos, não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Pois nós, embora muitos, somos um só pão, um só corpo; porque todos participamos de um mesmo pão. Vede a Israel segundo a carne; os que comem dos sacrifícios não são porventura participantes do altar? Mas que digo? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o ídolo é alguma coisa? Antes digo que as coisas que eles sacrificam, sacrificam-nas a demônios, e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis beber do cálice do Senhor e do cálice de demônios; não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa de demônios" (I Coríntios 10.14-21).

Como podemos ver, a prática da idolatria é como se estivéssemos participando da mesa de demônios. Além disso, no Antigo Testamento, em especial nos tempos dos profetas, era tido como ADULTÉRIO, onde o Esposo é o Senhor e a Esposa, Israel. Hoje, o Senhor Jesus é o Noivo e a Igreja, a Noiva. E como a relação entre noivos era um casamento ainda não consumado (em termos físicos), qualquer ato de traição durante esse período pode ser tido como ADULTÉRIO.

Vejamos um exemplo de passagem que traz a relação entre IDOLATRIA E ADULTÉRIO:

"'Mas confiaste na tua formosura, e te corrompeste por causa da tua fama; e derramavas as tuas prostituições sobre todo o que passava, para seres dele. E tomaste dos teus vestidos e fizeste lugares altos adornados de diversas cores, e te prostituíste sobre eles, como nunca sucedera, nem sucederá. Também tomaste as tuas belas joias feitas do meu ouro e da minha prata que eu te havia dado, e te fizeste imagens de homens, e te prostituíste com elas; e tomaste os teus vestidos bordados, e as cobriste; e puseste diante delas o meu azeite e o meu incenso. E o meu pão que te dei, a flor de farinha, e o azeite e o mel, com que eu te sustentava, também puseste diante delas em cheiro suave', diz o Senhor Deus. 'Além disto, tomaste a teus filhos e tuas filhas, que me geraras, e lhos sacrificaste, para serem devorados pelas chamas. Acaso foi a tua prostituição de tão pouca monta, que havias de matar meus filhos e lhos entregar, fazendo os passar pelo fogo? E em todas as tuas abominações, e nas tuas prostituições, não te lembraste dos dias da tua mocidade, quando tu estavas nua e descoberta, e jazias no teu sangue. E sucedeu, depois de toda a tua maldade (ai, ai de ti! diz o Senhor Deus), que te edificaste uma câmara abobadada, e fizeste lugares altos em todas as praças. A cada canto do caminho edificaste o teu lugar alto, e fizeste abominável a tua formosura, e alargaste os teus pés a todo o que passava, e multiplicaste as tuas prostituições. Também te prostituíste com os egípcios, teus vizinhos, grandemente carnais; e multiplicaste a tua prostituição, para me provocares à ira. Pelo que estendi a minha mão sobre ti, e diminuí a tua porção; e te entreguei à vontade dos que te odeiam, das filhas dos filisteus, as quais se envergonhavam do teu caminho depravado. Também te prostituíste com os assírios, porquanto eras insaciável; contudo, prostituindo-te com eles, nem ainda assim ficaste farta. Demais multiplicaste as tuas prostituições na terra de tráfico, isto é, até Caldeia, e nem ainda com isso te fartaste. Quão fraco é teu coração, diz o Senhor Deus, fazendo tu todas estas coisas, obra duma meretriz desenfreada, edificando a tua câmara abobadada no canto de cada caminho, e fazendo o teu lugar alto em cada rua!
Não foste sequer como a meretriz, pois desprezaste a paga; tens sido como a mulher adúltera que, em lugar de seu marido, recebe os estranhos. A todas as meretrizes se dá a sua paga, mas tu dás presentes a todos os teus amantes; e lhes dás peitas, para que venham a ti de todas as partes, pelas tuas prostituições. Assim és diferente de outras mulheres nas tuas prostituições; pois ninguém te procura para prostituição; pelo contrário tu dás a paga, e não a recebes; assim és diferente. Portanto, ó meretriz, ouve a palavra do Senhor'. Assim diz o Senhor Deus: 'Pois que se derramou a tua lascívia, e se descobriu a tua nudez nas tuas prostituições com os teus amantes; por causa também de todos os ídolos das tuas abominações, e do sangue de teus filhos que lhes deste; portanto eis que ajuntarei todos os teus amantes, com os quais te deleitaste, como também todos os que amaste, juntamente com todos os que odiaste, sim, ajuntá-los-ei contra ti em redor, e descobrirei a tua nudez diante deles, para que vejam toda a tua nudez. E julgar-te-ei como são julgadas as adúlteras e as que derramam sangue; e entregar-te-ei ao sangue de furor e de ciúme. Também te entregarei nas mãos dos teus inimigos, e eles derribarão a tua câmara abobadada, e demolirão os teus altos lugares, e te despirão os teus vestidos, e tomarão as tuas belas joias, e te deixarão nua e descoberta'
" (Ezequiel 16.15-39, destaques nossos).

Acredito que a passagem acima, tirada do livro de Ezequiel, seja suficiente para vermos a gravidade da idolatria. Mas não é somente a idolatria que é comparada aqui ao adultério. Quando deixamos de confiar no Senhor e passamos a confiar nas outras pessoas e em nosso próprio entendimento, nos tornamos igualmente adúlteros. No exemplo acima, vimos que Israel se prostituiu não só com os ídolos cananeus (principalmente Moloque, para quem sacrificaram seus filhos – vv. 20-21), como também com o Egito (v. 26), a Assíria (v. 28) e a Caldeia (v.29).

Ainda de acordo com a visão bíblica, trazida pelo apóstolo Paulo, a imoralidade também é um pecado seriíssimo, pois, como disse antes, é profanação ao Templo do Senhor, como podemos ver na passagem a seguir:

"Não sabeis vós que os vossos corpos são membros de Cristo? Tomarei, pois, os membros de Cristo, e os farei membros de uma meretriz? De modo nenhum. Ou não sabeis que o que se une à meretriz, faz-se um corpo com ela? Porque, como foi dito, os dois serão uma só carne. Mas, o que se une ao Senhor é um só espírito com ele. Fugi da prostituição. Qualquer outro pecado que o homem comete, é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que habita em vós, o qual possuís da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque fostes comprados por preço; glorificai pois a Deus no vosso corpo" (I Coríntios 6.15-21).

Um dos maiores erros cometidos em nossos dias, trazido talvez pela ignorância ou pela maldade de alguns indivíduos que se infiltraram em nosso meio, é a má interpretação de uma das mais belas passagens da Palavra de Deus. Vamos lê-la e, posteriormente, comentá-la:

"Pela manhã cedo voltou ao templo, e todo o povo vinha ter com ele; e Jesus, sentando-se o ensinava. Então os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e pondo-a no meio, disseram-lhe: 'Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. Ora, Moisés nos ordena na lei que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?' Isto diziam eles, tentando-o, para terem de que o acusar. Jesus, porém, inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo. Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse-lhes: 'Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra'. E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus, e a mulher ali em pé. Então, erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém senão a mulher, perguntou-lhe: 'Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?' Respondeu ela: 'Ninguém, Senhor'. E disse-lhe Jesus: 'Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais'" (João 8.2-11).

A passagem acima é mal utilizada por aqueles que querem esconder seus pecados atrás de uma falsa tolerância divina. Como vimos na passagem retirada do profeta Ezequiel, DEUS NÃO TOLERA O PECADO, pois o pecado é ABOMINÁVEL AOS OLHOS DELE! Nesta passagem, vemos alguns detalhes bem claros, como a intenção dos fariseus, que não é importante neste momento. Quero destacar o que Jesus viu aqui:

  1. Quando Ele diz a todos os acusadores que, se alguém estiver sem pecado que atire pedras à mulher, Ele quis dizer que todos os acusadores, de alguma forma, havia pecado. Não há, diante de Deus, graus de pecado (maiores ou menores). Todos os pecados são abomináveis;
  2. Como nenhum deles ficou ali diante dEle e da mulher, nem mesmo os mais novos estavam isentos do pecado;
  3. Quando Jesus disse à mulher que também não a condenava, não era por tolerância, mas sim pelo arrependimento dela. Tanto é que Ele completa, e aí, sim, está a questão mais importante aqui: "VÁ-TE E NÃO PEQUES MAIS"!

Concluindo este tópico, vemos que a heresia da "tolerância divina" é algo bastante horroroso, que está conduzindo milhares ao engano, ao acharem que Deus está contemplando passivamente seus atos pecaminosos, esperando que nós tenhamos um "lapso" de consciência e saiamos do pecado. Todo pecado tem consequências, não havendo exceção para ninguém, pois todos nós pecamos e fomos destituídos da glória de Deus (Romanos 3.9-18).

3. Não ponhamos Deus à prova (25/26 de junho de 2010):

"Disse-lhe o Senhor: 'Conforme a tua palavra lhe perdoei; tão certo, porém, como eu vivo, e como a glória do Senhor encherá toda a terra, nenhum de todos os homens que viram a minha glória e os sinais que fiz no Egito e no deserto, e, todavia me tentaram estas dez vezes, não obedecendo à minha voz, nenhum deles verá a terra que com juramento prometi o seus pais; nenhum daqueles que me desprezaram a verá'" (Números 14.20-23);

"Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: 'Se tu és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; porque está escrito: "Aos seus anjos dará ordens a teu respeito; e: eles te susterão nas mãos, para que nunca tropeces em alguma pedra"'. Replicou-lhe Jesus: 'Também está escrito: "Não tentarás o Senhor teu Deus"'" (Mateus 4.5-7).

Quando lemos a narrativa da rebelião dos israelitas, encontrada em Números 14 a 17, vemos o quanto é perigoso provocarmos a ira de Deus contra nós. Vimos anteriormente que o Senhor não tolera o pecado, pois é uma abominação contra Ele. No curso da história bíblica, vemos que Israel desafiava a paciência divina de forma assustadoramente irresponsável e imprudente. Como exemplos disso, podemos destacar as seguintes passagens:

  1. "Ora, Corá, filho de Izar, filho de Coate, filho de Levi, juntamente com Datã e Abirão, filhos de Eliabe, e Om, filho de Pelete, filhos de Rúben, tomando certos homens, levantaram-se perante Moisés, juntamente com duzentos e cinquenta homens dos filhos de Israel, príncipes da congregação, chamados à assembleia, varões de renome; e ajuntando-se contra Moisés e contra Arão, disseram-lhes: 'Demais é o que vos arrogais a vós, visto que toda a congregação e santa, todos eles são santos, e o Senhor está no meio deles; por que, pois, vos elevais sobre a assembleia do Senhor'? Quando Moisés ouviu isso, caiu com o rosto em terra; depois falou a Corá e a toda a sua companhia, dizendo: 'Amanhã pela manhã o Senhor fará saber quem é seu, e quem é o santo, ao qual ele fará chegar a si; e aquele a quem escolher fará chegar a si. Fazei isto: Corá e toda a sua companhia, tomai para vós incensários; e amanhã, pondo fogo neles, sobre eles deitai incenso perante o Senhor; e será que o homem a quem o Senhor escolher, esse será o santo; demais é o que vos arrogais a vós, filhos de Levi'. Disse mais Moisés a Corá: 'Ouvi agora, filhos de Levi! Acaso é pouco para vós que o Deus de Israel vos tenha separado da congregação de Israel, para vos fazer chegar a si, a fim de fazerdes o serviço do tabernáculo do Senhor e estardes perante a congregação para ministrar-lhe, e te fez chegar, e contigo todos os teus irmãos, os filhos de Levi? procurais também o sacerdócio? Pelo que tu e toda a tua companhia estais congregados contra o Senhor; e Arão, quem é ele, para que murmureis contra ele'? Então Moisés mandou chamar a Datã e a Abirão, filhos de Eliabe; eles porém responderam: 'Não subiremos'... Então disse Moisés: 'Nisto conhecereis que o Senhor me enviou a fazer todas estas obras; pois não as tenho feito de mim mesmo'... 'Se estes morrerem como morrem todos os homens, e se forem visitados como são visitados todos os homens, o Senhor não me enviou Mas, se o Senhor criar alguma coisa nova, e a terra abrir a boca e os tragar com tudo o que é deles, e vivos descerem ao Seu, então compreendereis que estes homens têm desprezado o Senhor'. E aconteceu que, acabando ele de falar todas estas palavras, a terra que estava debaixo deles se fendeu; e a terra abriu a boca e os tragou com as suas famílias, como também a todos os homens que pertenciam a Corá, e a toda a sua fazenda" (Números 16.1-12; 28-32);
  2. "O anjo do Senhor subiu de Gilgal a Boquim, e disse: 'Do Egito vos fiz subir, e vos trouxe para a terra que, com juramento, prometi a vossos pais, e vos disse: "Nunca violarei e meu pacto convosco; e, quanto a vós, não fareis pacto com os habitantes desta terra, antes derrubareis os seus altares". Mas vós não obedecestes à minha voz. Por que fizestes isso? Pelo que também eu disse: "Não os expulsarei de diante de vós; antes estarão quais espinhos nas vossas ilhargas, e os seus deuses vos serão por laço"'. Tendo o anjo do Senhor falado estas palavras a todos os filhos de Israel, o povo levantou a sua voz e chorou" (Juízes 2.1-4).

Essas duas passagens foram escolhidas porque elas são as que melhor retratam o quão tolo é desafiar a soberania e a paciência divinas. Na primeira passagem, vemos que alguns homens, Coré, Datã e Abirão, reuniram ao seu redor duzentas e cinquenta pessoas para desafiarem a autoridade delegada de Moisés. O primeiro deles, Coré, era da família dos coraítas, da tribo de Levi, que o Senhor havia separado para cuidar do Tabernáculo. Ou seja, não se contentava com o trabalho que lhe havia sido delegado. Os outros dois, Datã e Abirão, eram irmãos, da tribo de Rúben. Em resumo, eles queriam ter os mesmos "direitos" de Moisés e de Arão de estarem diante do Senhor face a face.

Sempre que eu leio a primeira passagem, não faço muita força para entender o que se passou pelas cabeças deles e pelas de seus seguidores. Existem muitas pessoas que atualmente fazem um esforço enorme para conseguir um título de "pastor" ou qualquer outro cargo eclesiástico, como se isso fosse lhes dar um status de superioridade sobre as outras pessoas. Infelizmente, acho que eles nunca sequer deram a devida atenção às palavras do próprio Senhor Jesus sobre o desejo de Seus discípulos para saber quem seria o "primeiro" entre eles:

"Jesus, pois, chamou-os para junto de si e lhes disse: 'Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles. Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo; assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos'" (Mateus 20.25-28).

Como no início eu expus algumas particularidades da minha vida, não de forma clara, obviamente, vou dar minha opinião a respeito deste assunto em particular. As pessoas que veem o Ministério Eclesiástico como um meio de conquistar status e até mesmo certos privilégios são tolas e não têm a menor noção do que é servir ao Senhor. Assim como nunca deram a devida atenção à passagem que citei acima, tem outra que eles, me perdoem a gíria, "deixaram passar batido":

"Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, tanto a anjos como a homens. Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós desprezíveis. Até a presente hora padecemos fome, e sede; estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos; somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e o suportamos; somos difamados, e exortamos; até o presente somos considerados como o refugo do mundo, e como a escória de tudo. Não escrevo estas coisas para vos envergonhar, mas para vos admoestar, como a filhos meus amados" (I Coríntios 4.9-14).

Eu também gostaria muito que muitos dos Pastores que eu conheço tivessem o status humano que muitos julgam que todos têm, principalmente porque a dedicação deles à Obra do Senhor me constrange, a ponto de não me considerar digno de receber tal título, por motivos que Deus conhece muito bem. No entanto, Ele é Senhor e não vou lutar contra a Sua soberania. A quem Ele chama, também capacita.

A segunda passagem, encontrada em Juízes, retrata a desobediência e a frouxidão de Israel em não expulsar os cananeus da Terra Prometida. O resultado dessa frouxidão perdura até os dias atuais. Muitas vezes ficamos frouxos na hora de lutarmos para conquistarmos a vitória que o Senhor já colocou em nossas mãos, ou até mesmo contra alguns pecados "de estimação".

A consequência dessa frouxidão é clara: a situação nos domina e torna-se mais difícil de derrotá-la. Precisamos ter a coragem de dominá-lo e repreendê-lo em nome do Senhor Jesus, pois Ele já nos capacitou com poder e com Seu Santo Espírito para derrotar todos os nossos inimigos!

Ela demonstra também o perigo de sermos desobedientes a Deus. Quando agimos dessa forma, estamos provocando-O à ira. Outro exemplo triste disso é o do rei Saul, primeiro rei de Israel, que foi desobediente à uma ordem clara do Senhor. Leiamos a passagem que narra essa triste história:

"Então todo o Israel ouviu dizer que Saul ferira a guarnição dos filisteus, e que Israel se fizera abominável aos filisteus. E o povo foi convocado após Saul em Gilgal. E os filisteus se ajuntaram para pelejar contra Israel, com trinta mil carros, seis mil cavaleiros, e povo em multidão como a areia que está à beira do mar subiu e se acamparam em Micmás, ao oriente de Bete-Aven. Vendo, pois, os homens de Israel que estavam em aperto (porque o povo se achava angustiado), esconderam-se nas cavernas, nos espinhais, nos penhascos, nos esconderijos subterrâneos e nas cisternas. Ora, alguns dos hebreus passaram o Jordão para a terra de Gade e Gileade; mas Saul ficou ainda em Gilgal, e todo o povo o seguia tremendo. Esperou, pois, sete dias, até o tempo que Samuel determinara; não vindo, porém, Samuel a Gilgal, o povo, deixando a Saul, se dispersava. Então disse Saul: 'Trazei-me aqui um holocausto, e ofertas pacíficas'. E ofereceu o holocausto. Mal tinha ele acabado de oferecer e holocausto, eis que Samuel chegou; e Saul lhe saiu ao encontro, para saudar. Então perguntou Samuel: 'Que fizeste'? Respondeu Saul: 'Porquanto via que o povo, deixando-me, se dispersava, e que tu não vinhas no tempo determinado, e que os filisteus já se tinham ajuntado em Micmás, eu disse: Agora descerão os filisteus sobre mim a Gilgal, e ainda não aplaquei o Senhor. Assim me constrangi e ofereci o holocausto'. Então disse Samuel a Saul: 'Procedeste nesciamente; não guardaste o mandamento que o Senhor teu Deus te ordenou. O Senhor teria confirmado o teu reino sobre Israel para sempre; agora, porém, não subsistirá o teu reino; já tem o Senhor buscado para si um homem segundo o seu coração, e já o tem destinado para ser príncipe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o Senhor te ordenou'" (I Samuel 13.4-14);

"Disse Samuel a Saul: 'Enviou-me o Senhor a ungir-te rei sobre o seu povo, sobre Israel; ouve, pois, agora as palavras do Senhor. Assim diz o Senhor dos exércitos: "Castigarei a Amaleque por aquilo que fez a Israel quando se lhe opôs no caminho, ao subir ele do Egito. Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e o destrói totalmente com tudo o que tiver; não o poupes, porém matarás homens e mulheres, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos"'… E tomou vivo a Agague, rei dos amalequitas, porém a todo o povo destruiu ao fio da espada. Mas Saul e o povo pouparam a Agague, como também ao melhor das ovelhas, dos bois, e dos animais engordados, e aos cordeiros, e a tudo o que era bom, e não os quiseram destruir totalmente; porém a tudo o que era vil e desprezível destruíram totalmente. Então veio a palavra do Senhor a Samuel, dizendo: 'Arrependo-me de haver posto a Saul como rei; porquanto deixou de me seguir, e não cumpriu as minhas palavras'. Então Samuel se contristou, e clamou ao Senhor a noite toda… Veio, pois, Samuel ter com Saul, e Saul lhe disse: 'Bendito sejas do Senhor; já cumpri a palavra do Senhor'. Então perguntou Samuel: 'Que quer dizer, pois, este balido de ovelhas que chega aos meus ouvidos, e o mugido de bois que ouço'? Ao que respondeu Saul: 'De Amaleque os trouxeram, porque o povo guardou o melhor das ovelhas e dos bois, para os oferecer ao Senhor teu Deus; o resto, porém, destruímo-lo totalmente'. Então disse Samuel a Saul: 'Espera, e te declararei o que o Senhor me disse esta noite'. Respondeu-lhe Saul: 'Fala'. Prosseguiu, pois, Samuel: 'Embora pequeno aos teus próprios olhos, porventura não foste feito o cabeça das tribos de Israel? O Senhor te ungiu rei sobre Israel; e bem assim te enviou o Senhor a este caminho, e disse: "Vai, e destrói totalmente a estes pecadores, os amalequitas, e peleja contra eles, até que sejam aniquilados". Por que, pois, não deste ouvidos à voz do Senhor, antes te lançaste ao despojo, e fizeste o que era mau aos olhos do Senhor'? Então respondeu Saul a Samuel: 'Pelo contrário, dei ouvidos à voz do Senhor, e caminhei no caminho pelo qual o Senhor me enviou, e trouxe a Agague, rei de Amaleque, e aos amalequitas destruí totalmente; mas o povo tomou do despojo ovelhas e bois, o melhor do anátema, para o sacrificar ao Senhor teu Deus em Gilgal'. Samuel, porém, disse: 'Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à voz do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, do que a gordura de carneiros Porque a rebelião é como o pecado de adivinhação, e a obstinação é como a iniquidade de idolatria. Porquanto rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou, a ti, para que não sejas rei'" (15.1-3; 8-11; 13-23).

Eu considero essas duas narrativas como as mais tristes da Palavra de Deus, assim como a advertência do Anjo do Senhor em Juízes 2 e a punição de Geazi, servo de Eliseu, por ter corrido atrás de Naamã, que está narrada em II Reis 5.20-27. Saul havia sido ungido como rei de Israel, mas foi precipitado (na primeira passagem e em outra passagem, que não citei aqui, em I Samuel 14.24-34, quando ele proferiu nesciamente uma maldição) e foi desobediente (na segunda passagem). Por causa desses dois atos de rebelião, o trono foi tirado de sua mão e dado nas mãos de Davi, seu sucessor.

Na segunda passagem, encontramos uma advertência que é muito séria para nós, hoje. Samuel diz ao rei Saul:

"Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à voz do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, do que a gordura de carneiros, porque a rebelião é como o pecado de adivinhação, e a obstinação é como a iniquidade de idolatria. Porquanto rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou, a ti, para que não sejas rei" (15.23, meus destaques).

Existem casos em que os sacrifícios nada mais são do que uma tentativa de querermos nos justificar diante do Senhor. Por mais que jejuemos, subamos montes, fiquemos ajoelhados, com o rosto no chão, vestidos com panos de saco, nada disso será de grande valia, se não formos obedientes à Palavra do Senhor. Resumindo: é uma grande perda de tempo. Saul fez um sacrifício precipitado, pois temia que os soldados o abandonasse diante dos filisteus. Ele não se lembrou do exemplo de Gideão, por exemplo, que foi auxiliado pelo Senhor e lutou contra os midianitas com apenas trezentos homens (Juízes 7.1-23).

A obediência ao Senhor é CUMPRIRMOS a Sua Palavra em nossa vida, sem exceção. Existem pessoas que consideram algumas passagens bíblicas totalmente irreais, meras alegorias. Essas pessoas querem, implicitamente, dizer que ela não é totalmente verdadeira ou tangível. Precisamos, porém, ter em mente que o homem natural, sem o conhecimento e o discernimento que vêm da parte do Espírito Santo, não consegue discernir as coisas espirituais, posto que sua mente não foi liberta pela Palavra do Senhor (I Coríntios 2.4-16).

Um exemplo disso encontramos em Mateus 5.27-30:

"Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que vá todo o teu corpo para o inferno".

Como podemos ver, Jesus não "aliviou" a situação em relação ao pecado, como alguns pensam. Quando Ele diz que matar alguém não consiste apenas em tirar-lhe a vida, mas humilhá-la a ponto de matar sua autoestima (Mateus 5.21-26). No entanto, há uma infinidade de pessoas que humilham, maltratam, escarnecem e ofendem os outros e ainda acham que estão impunes diante do Senhor. No entanto, como Ele mesmo disse a Jeremias, Ele vela para que Sua Palavra se cumpra (1.12).

Da mesma forma, Ele disse na passagem em destaque que, se alguém olhar para uma mulher (o mesmo, se uma mulher olhar para um homem) com desejo cobiçoso, já adulterou com ela (e). Ou seja, não basta a consumação do ato sexual para que seja configurado o adultério; a má intenção do coração já basta para configurar o pecado, pois ele nasce do coração corrupto. A solução para o problema? Livrar-se do que provoca o problema. Quando Ele diz que devemos "cortar o olho fora ou a mão fora", não está pregando a automutilação, mas uma atitude radical contra o pecado.

É exatamente aqui que abriremos a conclusão deste texto: a necessidade da mudança de atitude em relação ao pecado, para que sejamos vitoriosos contra ele, por pior que seja, por mais cativante que seja, por mais sedutor que seja, pois tudo isso fará com que nós sejamos lançados no inferno, e não há exceção, pois Deus não tem filhos favoritos; Ele tem filhos amados, resgatados pelo Sangue de Seu Filho, Jesus, este sim, o Filho em que Ele se compraz, pois cumpriu totalmente a Sua vontade, como podemos ver em Filipenses 2.5-11 e Hebreus 5.7-10. De acordo com esta última passagem, nós somos aperfeiçoados NA OBEDIÊNCIA ao Senhor, como Ele mesmo foi aperfeiçoado.

  1. O CHAMADO AO ARREPENDIMENTO (26 de junho de 2010):

"Lavai-vos, purificai-vos; tirai de diante dos meus olhos a maldade dos vossos atos; cessai de fazer o mal; aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, acabai com a opressão, fazei justiça ao órfão, defendei a causa da viúva. Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã. Se quiserdes, e me ouvirdes, comereis o bem desta terra; mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; pois a boca do Senhor o disse" (Isaías 1.16-19).

O Senhor tem desejo de que todos se arrependam e voltem à comunhão com Ele. Além da passagem acima, encontramos outros chamados ao arrependimento, que vale a pena destacar:

  1. "Diz o Soberano, o Senhor, o Santo de Israel: 'No arrependimento e no descanso está a salvação de vocês, na quietude e na confiança está o seu vigor, mas vocês não quiseram'… Contudo, o Senhor espera o momento de ser bondoso com vocês; Ele ainda se levantará para mostrar-lhes compaixão. Pois o Senhor é Deus de justiça. Como são felizes todos os que nEle esperam" (Isaías 30.15-18 – NVI);
  2. "Deixe o perverso o seu caminho, o iníquo, os seus pensamentos; converta-se ao Senhor, que se compadecerá dele, e volte-se para o nosso Deus, porque é rico em perdoar" (Isaías 55.7 – NVI);
  3. "Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, donde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; e se não, brevemente virei a ti, e removerei do seu lugar o teu candeeiro, se não te arrependeres" (Apocalipse 2.4-5);
  4. "O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se" (II Pedro 3.9);
  5. "Ao anjo da igreja em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois gumes:… Entretanto, algumas coisas tenho contra ti; porque tens aí os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, introduzindo-os a comerem das coisas sacrificadas a ídolos e a se prostituírem. Assim tens também alguns que de igual modo seguem a doutrina dos nicolaítas. Arrepende-te, pois; ou se não, virei a ti em breve, e contra eles batalharei com a espada da minha boca" (Apocalipse 2.12, 14-16);
  6. "Ao anjo da igreja em Tiatira escreve: Isto diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo, e os pés semelhantes a latão reluzente:… Mas tenho contra ti que toleras a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e seduz os meus servos a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas a ídolos; e dei-lhe tempo para que se arrependesse; e ela não quer arrepender-se da sua prostituição. Eis que a lanço num leito de dores, e numa grande tribulação os que cometem adultério com ela, se não se arrependerem das obras dela; e ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que esquadrinha os rins e os corações; e darei a cada um de vós segundo as suas obras. Digo-vos, porém, a vós os demais que estão em Tiatira, a todos quantos não têm esta doutrina, e não conhecem as chamadas profundezas de Satanás, que outra carga vos não porei; mas o que tendes, retende-o até que eu venha" (Apocalipse 2.18, 20-25);
  7. "Ao anjo da igreja em Sardes escreve: Isto diz aquele que tem os sete espíritos de Deus, e as estrelas: Conheço as tuas obras; tens nome de que vives, e estás morto. Sê vigilante, e confirma o restante, que estava para morrer; porque não tenho achado as tuas obras perfeitas diante do meu Deus. Lembra-te, portanto, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te. Pois se não vigiares, virei como um ladrão, e não saberás a que hora sobre ti virei" (Apocalipse 3.1-3);
  8. "Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente; oxalá foras frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és quente nem frio, vomitar-te-ei da minha boca. Porquanto dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um coitado, e miserável, e pobre, e cego, e nu; aconselho-te que de mim compres ouro refinado no fogo, para que te enriqueças; e vestes brancas, para que te vistas, e não seja manifesta a vergonha da tua nudez; e colírio, a fim de ungires os teus olhos, para que vejas. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo: sê pois zeloso, e arrepende-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo" (Apocalipse 3.14-20).

Não quero estender-me mais do que já me estendi, principalmente porque considero que a Palavra de Deus fala por si mesma e que a mensagem nela contida é a própria voz do Senhor para nós. O Seu chamado ao arrependimento é claro e, como diz a última passagem destacada, cabe a nós ouvirmos à Sua voz, abrirmos nosso coração, Ele virá e ceará conosco, ou seja, restaurará a Sua comunhão conosco.

É necessário, também, que mudemos a nossa atitude em relação ao pecado, pois o pecado não é um "ursinho de pelúcia", de quem nos desfazemos se nos cansarmos dele; é um destruidor mortal e nos separa da presença do Altíssimo, pois Ele é Santo e não pode conviver com o pecado, que é abominável a Ele.

Para finalizar, quero destacar a advertência deixada por João Batista em Mateus 3.7-12:

"Mas, vendo ele muitos dos fariseus e dos saduceus que vinham ao seu batismo, disse-lhes: 'Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira vindoura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não queirais dizer dentro de vós mesmos: "Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão". E já está posto o machado á raiz das árvores; toda árvore, pois que não produz bom fruto, é cortada e lançada no fogo. Eu, na verdade, vos batizo em água, na base do arrependimento; mas aquele que vem após mim é mais poderoso do que eu, que nem sou digno de levar-lhe as alparcas; ele vos batizará no Espírito Santo, e em fogo. A sua pá ele tem na mão, e limpará bem a sua eira; recolherá o seu trigo ao celeiro, mas queimará a palha em fogo inextinguível'".

Que o Senhor Jesus nos ajude a encontrarmos o caminho do arrependimento a cada dia!

Rio de Janeiro, 26 de junho de 2010.